
12/11/2020
Não vai ter outro jeito: após a derrota de Donald Trump na eleição nos Estados Unidos, ou o governo Jair Bolsonaro revê sua política ambiental ou corre o risco de perder acordos importante para o país, além de investimentos essenciais para a recuperação econômica pós-pandemia, segundo a socioambientalista Natalie Unterstell.
Formada em administração pela Fundação Getulio Vargas e mestre em políticas públicas pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, ela é hoje uma das principais referências na América Latina sobre mudanças climáticas.
Foi a única brasileira na condição de embaixadora global do Homeward Bound, programa de participação das mulheres na ciência e na política, pelo qual participou de uma expedição à Antártida em um navio só de mulheres.
Em entrevista à Folha, Natalie diz que a eleição de Joe Biden para a Casa Branca deve significar uma “bênção” para a política ambiental internacional, em especial a brasileira.
Ela crê que o novo presidente vai utilizar todas as formas de pressão, como acordos econômicos e de cooperação, para forçar o governo brasileiro a se atentar sobre temas como preservação das florestas, emissão de gases poluentes e prevenção sobre queimadas.
“A tolerância dos americanos com as canetadas antiambientais vai mudar muito agora com o governo Biden.”
O governo de Donald Trump é marcado pela desregulamentação de normas de proteção ao meio ambiente nos Estados Unidos. Quais os principais atos que você destacaria? Foram quase 200 canetadas de desregulações, muitas na área do transporte: reduziu os padrões de eficiência energética nos veículos, tentou impedir que os estados avançassem em regras mais rígidas de controle de poluição e travou a evolução de modos de transporte mais limpos.
Outra medida emblemática foi a revogação do plano de energia limpa da era Obama, que buscava incentivar a transição do carvão para fontes renováveis. Houve também muitas liberações de licenças para novas explorações de petróleo e gás e construção de infraestruturas para combustíveis fósseis.
Isso gerou uma reação forte. Califórnia e Colorado processaram a administração federal, gerando insegurança e instabilidade e houve reflexos na economia. Ele também não ratificou medidas de contenção dos gases HFCs (hidrofluorocarbonetos), que ferem a camada de ozônio.
Um marco nas mudanças da política ambiental americana foi o anúncio de saída dos EUA do Acordo de Paris. Mesmo que Biden tenha prometido retomar o acordo ao assumir, há um espaço de tempo de mais de dois meses até lá. O que esse tempo representa na prática? Tem sido dito na mídia americana que os agentes políticos da administração Trump já estariam trabalhando com esse cenário e, portanto, tentando garantir que as desregulações e outras medidas possam sobreviver por um tempo. É possível então que a gente vislumbre agora, no apagar das luzes, um período em que eles tentem realmente manter o ‘passar da boiada’, como ouvimos aqui no Brasil.
Leia a entrevista completa na Folha de S. Paulo
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