
19/11/2020
As três maiores geleiras da Groenlândia, ilha que contém gelo suficiente para aumentar o nível do mar em mais de um metro, podem derreter mais rapidamente do que o antecipado pelas previsões mais alarmistas, segundo um estudo publicado na terça-feira (17) na revista Nature Communications.
Os autores do estudo usaram imagens históricas e outros dados para estimar a massa de gelo perdida durante o século 20 pelas três geleiras, Jakobshavn Isbrae, Kangerlussuaq e Helheim.
Eles estimaram que Jakobshavn Isbrae perdeu mais de 1,5 trilhão de toneladas de gelo entre 1880 e 2012, enquanto que o total da Kangerlussuaq e da Helheim foi respectivamente de 1,3 trilhão e 3,1 bilhões de toneladas entre 1900 e 2012.
Esse degelo já provocou um aumento de mais de 8 mm do nível do mar, segundo o estudo.
"As medições históricas realizadas nos séculos 19 e 20 poderiam esconder informações importantes que podem melhorar significativamente nossas projeções futuras", disse à AFP Shfagat Abas Khan, da Universidade Técnica da Dinamarca. Ele afirmou que as fotos tiradas antes da era dos satélites também são importantes para avaliar os degelos do passado.
O grupo de especialistas sobre clima da ONU (IPCC) estima que o degelo das geleiras e calotas poderia elevar o nível do mar entre 30 cm e 110 cm até o final do século, dependendo do nível de emissões de gases de efeito estufa.
Segundo seus modelos climáticos mais pessimistas, as três geleiras da Groenlândia contribuirão para um aumento entre 9,1 mm e 14,9 mm até 2100.
No entanto, o estudo publicado na Nature Communications destaca que esses modelos estão subestimados. Para as três geleiras estudadas, a perda de gelo pode ser três ou quatro vezes maior que o previsto, segundo Khan.
Um estudo publicado em setembro na revista Nature concluiu que, se as emissões de CO2 continuarem avançando no ritmo atual, as calotas polares da Groenlândia poderão perder 36 trilhões de toneladas entre 2000 e 2100, o suficiente para aumentar 10 cm no nível do mar.
Outro trabalho publicado em agosto na revista Nature Communications Earth & Environment apontou que as camadas de gelo na Groenlândia podem já ter derretido a um ponto irreversível, ainda que o mundo consiga reduzir as emissões que causam o aquecimento global.
Os cientistas estudaram 234 geleiras em todo o território ártico por 34 anos até 2018 e descobriram que as nevascas anuais já não eram mais suficientes para reabastecer os blocos de gelo perdidos com o derretimento durante o verão.
Fonte: Folha de S.Paulo
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