
01/12/2020
Por décadas, o "mais solitário elefante do mundo" divertiu multidões em seu pequeno pedaço de terra em um zoológico do Paquistão.
Os visitantes aplaudiam quando ele os saudava, instigado pelos cuidadores que o cutucavam com ganchos pregados na pele. Mais do que tudo, o objetivo era ganhar dinheiro.
À sua volta, outros animais desapareceram enquanto sua única companheira morreu, supostamente de sepse causada pelos ganchos cravados em sua pele.
Por anos, parecia que ninguém se importava com o destino solitário do elefante. Suas feridas infeccionaram e as correntes em torno de suas pernas deixaram cicatrizes permanentes. Ele ficou obeso e cheio de traumas.
Mas, neste domingo, o elefante mais solitário do mundo, como ficou conhecido, finalmente deixará para trás seu antigo cativeiro para uma nova vida no outro lado do continente, graças à determinação de voluntários e, de maneira surpreendente, de um ícone da música pop, a cantora americana Cher.
Esta é a história de Kaavan, que começa com uma oração e termina com uma canção.
Kaavan poderia nunca ter ido ao Paquistão se não fosse por um filme de Bollywood, a indústria de cinema da Índia. Mas também houve alguma complicada diplomacia internacional e caprichos de uma menina.
Zain Zia, filha do então governante militar do Paquistão, Gen Ziaul Haq, se apaixonou por elefantes depois de assistir ao filme Haathi Mere Saathi (sucesso indiano dos anos 1970, e que, em tradução livre para o português, se chamaria Elefantes, meus amigos).
Zain Zia, então, fez uma oração.
"Eu olhei para o céu e rezei: ´Allah Mian, me dê um haathi mera saathi´ ("querido Deus, me dê um elefante para ser meu amigo")", disse Zain à BBC, recentemente.
Sua oração foi ouvida por seu pai, conta. Certa manhã, não muito tempo depois, quando Zain se preparava para ir à escola, Gen Haq pediu que ela parasse. Ele colocou uma venda na filha e a levou para o gramado nos fundos da casa.
"Ele disse que havia uma surpresa para mim", ela lembra.
"Ele me fez tocar o animal. Então ele tirou minhas vendas e lá estava o elefantinho. Ele era tão adorável. Eu insisti que o manteríamos em casa, mas meu pai disse que ele pertencia ao governo e deveria ir para um zoológico. Ele disse que não seríamos capazes de cuidar bem dele, especialmente quando crescesse. Então eu disse tudo bem."
Até aquele dia, o pequeno elefante tinha sido mantido no Orfanato de Elefantes Pinnawala (PEO), no Sri Lanka, de acordo com Ravi Corea, um especialista em reabilitação de elefantes nos Estados Unidos. Acredita-se que o filhote de um ano tenha sido presenteado ao governo de Gen Haq como agradecimento por seu apoio ao exército do Sri Lanka durante uma insurgência.
No entanto, as razões exatas do "presente" permanecem obscuras. Também não se sabe se Kaavan era realmente um órfão, mas sabemos que, em algum momento de 1985, o jovem elefante acabou em um zoológico em Islamabad, capital do Paquistão.
Se quiser saber o final desta história acesse o G1
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