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O pequeno inseto de 1 mm que salvou economia de um país

05/01/2021

Espalhados entre as florestas com alta biodiversidade do Sudeste Asiático, milhões de fazendeiros tiram seu sustento do cultivo de mandioca. Essa safra comercial — cultivada tanto por pequenos agricultores que possuem apenas um ou dois hectares de terra, quanto por fazendas industriais que se estendem por milhares de hectares — é vendida sobretudo para fabricantes que usam o amido do tubérculo em plásticos e colas.
Quando a mandioca foi importada pela primeira vez da América do Sul para o Sudeste Asiático (como aconteceu com a África algumas décadas antes), ela era capaz de ser cultivada sem a ajuda de pesticidas.
Mas, em 2008, um inseto chamado cochonilha acompanhou o tubérculo até a região e começou a devastar as lavouras. Para compensar as perdas, agricultores começaram a avançar pela floresta no entorno de seus terrenos na tentativa de obter uma produção um pouco maior em suas terras.
"Algumas dessas áreas estão sob pressão significativa do desmatamento", afirma Kris Wyckhuys, especialista em controles biológicos do Instituto de Proteção de Plantas da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas em Pequim.
"O Camboja tem uma das taxas mais altas de desmatamento tropical", acrescenta.
A chegada da cochonilha não só teve um grande impacto no sustento daqueles que cultivam mandioca, como também afetou as economias dos países da região e pode ter reverberado em outros lugares.
Produtos alternativos no mercado de amido, como milho e batata, aumentaram de preço. O preço da fécula de mandioca triplicou na Tailândia — o maior exportador mundial do produto.
"Quando um inseto reduz a produção agrícola em 60-80%, você tem um grande choque", diz Wyckhuys.
A solução foi encontrar o inimigo natural da cochonilha, uma vespa parasita de 1 mm de comprimento (Anagyrus lopezi), em sua terra natal, a América do Sul.
Essa vespa é extremamente seletiva no uso da cochonilha como hospedeiro de suas larvas. No fim de 2009, ela foi introduzida nas áreas de cultivo de mandioca na Tailândia e começou a agir sobre as cochonilhas.
Não há informações detalhadas sobre quão rápido a vespa conteve a população de cochonilhas no país. Mas, em meados de 2010, "as vespas parasitas estavam sendo criadas aos milhões e liberadas em massa em toda a Tailândia, inclusive por avião, e podemos supor que seu impacto sobre as populações de cochonilhas pôde ser sentido com bastante rapidez", afirma Wyckhuys.
Quando a mesma vespa foi usada para controlar as cochonilhas na África Ocidental no início dos anos 1980, ela suprimiu imediatamente os níveis da praga — de mais de 100 em cada extremidade da mandioca para menos de 10-20.
Menos de três anos depois, a vespa havia se dispersado efetivamente por mais de 200 mil km² no sudoeste da Nigéria e podia ser encontrada na grande maioria das plantações de mandioca da área.
Esse tipo de intervenção é denominado controle biológico clássico. Você encontra um predador natural e o introduz em uma plantação para conter a propagação de uma praga.
Wyckhuys calcula o benefício econômico para os agricultores em 26 países da Ásia-Pacífico em cerca de US$ 14,6 bilhões a US$ 19,5 bilhões por ano.
"A ação de uma vespa de 1 mm ajudou a resolver um impacto financeiro significativo no mercado global de amido", diz ele.
Nosso conhecimento sobre os benefícios que o predador certo pode trazer para terras agrícolas remonta a centenas de anos, embora o biocontrole tenha saído de moda nas práticas agrícolas modernas.
"O controle biológico foi o padrão por milhares de anos, então é engraçado pensar nisso como algo novo", diz Rose Buitenhuis, cientista da organização científica independente de horticultura, Vineland Research and Innovation Centre, em Ontário, no Canadá.
Se o controle biológico pode ser tão bem-sucedido, por que agora é um método pouco usado no combate a pragas? O que acontece quando dá errado? E por que os pesquisadores estão fazendo pressão para mudar isso?

Quer saber mais? Então acesse o G1

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