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Poluição volta a ´velho normal´ em SP após melhora inicial com quarentena

26/01/2021

“A natureza está se recuperando”, foi a frase repetida no mundo inteiro quando boa parte do planeta se recolheu em casa, no começo do ano passado, para tentar conter a pandemia da Covid-19. Com seres humanos trancados da porta para dentro, animais reapareceram perto de cidades e paisagens antes encobertas pela poluição voltaram a ficar visíveis.
Mas, com a retomada das atividades e o relaxamento da quarentena, isso não durou muito.
Dados inéditos da Cetesb (Companhia Ambiental de SP) mostram que a qualidade do ar da Grande São Paulo melhorou a partir do fim de março, no começo da quarentena, quando a circulação de veículos caiu drasticamente.
Ao longo do ano, porém, o “novo normal” se mostrou muito parecido com o “velho normal”, e a retomada da circulação fez os níveis de poluição voltarem a subir.
A Cetesb, que monitora a qualidade do ar no estado, analisou a concentração de poluentes emitidos por veículos automotores: o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado inalável (poluentes que se mantêm suspensos na atmosfera por seu tamanho pequeno).
Os dados indicam que as concentrações de monóxido de carbono chegaram a cair mais de 45% no fim de março, quando a quarentena começou, em relação ao mesmo período do ano anterior. O mesmo ocorreu com os óxidos de nitrogênio, que tiveram queda acima dos 50% no começo das medidas de distanciamento social.
Já no fim do primeiro semestre, com a autorização do governo João Doria (PSDB) de retomada parcial das atividades econômicas, essa diferença começa a cair. No segundo semestre, em diversos períodos a concentração desses poluentes ficou maior em 2020 do que em 2019.
As partículas inaláveis variaram menos, segundo a Cetesb, porque elas também são emitidas por outras atividades que não pararam, como construção e indústria.
A análise foi feita com dados de estações de monitoramento em lugares com grande circulação de carros: na marginal Tietê (ponte dos Remédios), próximo ao aeroporto de Congonhas, na avenida Dr. Arnaldo e em Osasco (na av. dos Autonomistas).
Além do menor número de veículos em circulação, a Cetesb credita a menor emissão de poluentes às condições mais livres do trânsito, sem carros parados em engarrafamentos.
O órgão, porém, faz uma ressalva: as concentrações atmosféricas dos poluentes também são fortemente influenciadas pelas condições meteorológicas — períodos com menos chuva, por exemplo, concentram mais poluição no ar.
A diretora-presidente da Cetesb, Patrícia Iglecias, explica que é direta a ligação entre a quantidade de veículos em circulação e o patamar de poluição. Políticas públicas de controle da qualidade do ar e obrigatoriedade de atualização tecnológica de carros novos, porém, diminuíram esse problema ao longo dos anos.
“Se tivéssemos as mesmas condições que tínhamos nos anos 1990, veríamos a cidade como Pequim, cinza”, resume.
“Os dados servem de alerta para que as pessoas entendam que isso é uma coisa macro. É preciso tirar lições desse período. Podemos instituir permanentemente o teletrabalho, para quem pode, implementar horários diferentes de expediente, para evitar picos com maior concentração de veículos, e repensar os próprios deslocamentos, como a necessidade de pegar um carro até para ir à padaria”, afirma.
Nascida e criada na capital, Natalia Santos, 27, que tem bronquite, rinite e sinusite, aprendeu a conviver com a poluição da cidade, mas percebeu a diferença mesmo quando se mudou para Marília, no interior de SP, onde fez faculdade.
“Percebi que minha respiração ficava muito melhor. Não tive crise nenhuma, respirava tranquila”, diz ela.
A mudança era clara quando voltava para São Paulo para ver a família. “Era eu chegar no terminal rodoviário da Barra Funda, região central, passar pelas marginais, que minha rinite e minha sinusite atacavam. Eu ficava com o nariz totalmente fechado”, diz.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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