UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
O triste fim da baleia que encalhou no Cais do Porto, no Rio

11/03/2021

Os marinheiros do navio "Boa Esperança", da companhia Netumar, ficaram surpresos quando viram uma baleia tão perto do Cais do Porto, no Rio, naquela quinta-feira à tarde. Eles observaram o cétaceo de 7 metros de comprimento passando entre a plataforma e a embarcação, um local de águas rasas e sujas. Logo, perceberam que o animal ficara encalhado entre os amazéns 18 e 22. No amanhecer do dia seguinte, curiosos se reuniram para acompanhar a agonia da baleia. Entre todos, havia a esperança de que ela se salvasse. Mas esta não é uma história de final feliz.
Identificado como um exemplar de baleia minke, o cetáceo estava submerso, mas não conseguia se mover direito, estava preso sob um guindaste. O animal veio à tona algumas vezes ao longo do dia, até emergir uma última vez, já morto. A cada vez que aparecia na superfície, as pessoas imaginavam que veriam a baleia, enfim, nadaria em direção à saída da Baía de Guanabara. Porém, por volta das 16h daquele dia 29 de janeiro de 1983, ficara claro que nada mais poderia ser feito. Até porque ninguém se aventurara nas águas poluídas para tentar salvar o animal.
Segundo pesquisadores, o animal poderia ter sido salvo se os funcionários da companhia Docas do Rio tivessem removido as amarras da baleia e afastado o guindaste sob o qual ela ficou presa. Porém, enquanto o cetáceo agonizava, não se viu ninguém tomar uma iniciativa nesse sentido.
Durante o dia, um grupo de estudantes de Biologia chegara ao Cais do Porto para acompanhar o episódio de perto. A universitária Mônica Borodia, de 18 anos, quase chorou ao constatar que a a baleia estava mesmo morta. Depois de vários telefonemas para a instituição em que ela fazia pesquisa, Mônica conseguiu que a carcaça de mais de 2 toneladas fosse buscada para ser enterrada no Aterro Sanitário de Gramacho, na Baixada Fluminense. Assim, três meses depois, a ossada poderia ser desenterrada e estudada por cientistas.
"Para nós, estudantes, é importante estudar a ossada da baleia, já que não foi possível salvá-la", conformou-se Mônica.
De barriga para cima, a baleia foi laçada em uma das nadadeiras pelos tripulantes de um barco da companhia Serviços Auxiliares de Pilotos SA (Sermapi). Mas ela só ficou completamente imobilizada quando o estivador Waterloo da Silva, de 21 anos, mergulhou nas águas sujas e conseguiu amarrá-la pelo dorso e cauda. Incentivado por seus companheiros, o rapaz ficou quase uma hora dentro d´água, depois que o barco da Sermapi zarpou.
"Tive vontade de ajudar, de fazer alguma coisa. Eu vi o sofrimento desta baleia desde o primeiro dia que bateu no ´Boa Esperança´, onde eu estava trabalhando. Foi uma pena ela morrer", disse o estivador, contando que tomou muito uísque antes de mergulhar, "para criar coragem".
Não é raro ver baleias minke da Antártida no litoral brasileiro. Também conhecida como baleia-anã (o nome científico é Balaenoptera acutorostrata), a espécie, que pode alcançar dez metros de comprimento e viver até 50 anos, habita as águas do continente gelado de janeiro a julho, quando migra para o Nordeste do país a procura de águas quentes para se reproduzir. Como se tratava de um filhote, especialistas presumiram que o cetáceo se perdera de sua mãe e fora parar na Baía de Guanabara.
No sábado pela manhã, o caminhão que levou a baleia para o aterro sanitário chamou atenção por onde passava. Como o animal era grande demais para a caçamba do veículo, sua cauda ficou à mostra, levando passageiros de ônibus na Avenida Brasil a levantar de seus assentos para observar melhor, pelas janelas. Antes de o cetáceo ser enterrado, foram os próprios estudantes que, com facas de cozinha e sem a proteção adequada, dissecaram o abdôme da baleia. Eles criticaram o desinteresse dos cientistas tanto do Museu Nacional quanto da Uerj pela carcaça.

Fonte: O Globo

Novidades

Mês dos manguezais expõe desafios ambientais na Barra e Jacarepaguá; saiba o que vem sendo feito

23/07/2026

Julho é o mês dedicado à proteção dos manguezais, que funcionam como berçário de diversas espécies, ...

Livro gratuito sobre a castanheira-da-amazônia é semifinalista do Jabuti

23/07/2026

Símbolo da Amazônia e uma das maiores árvores da floresta, a castanheira-da-amazônia (Bertholletia e...

10 bairros de São Paulo terão troca gratuita de lâmpadas

23/07/2026

Entre os dias 22 e 25 de julho, quem vive na cidade de São Paulo pode realizar a troca das suas lâmp...

Fóssil raro achado no Brasil revela nova espécie de cobra que viveu no interior de SP há milhões de anos

23/07/2026

Uma nova espécie de cobra que viveu onde hoje é o interior de São Paulo entre 85 milhões e 75 milhõe...

Sem predador e com até 20 cm, rã-touro ameaça fauna em Florianópolis

23/07/2026

Em uma região rural de Florianópolis, o aparecimento de anfíbios grandes, esverdeados e de coaxar ba...