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Como animais encontram remédios na natureza

06/04/2021

Algo estranho aconteceu há 35 anos, quando o primatologista Mike Huffman estava estudando um grupo de chimpanzés no oeste da Tanzânia.
Chausiku, uma das fêmeas, deixou seus filhotes com outros animais da espécie, subiu em uma árvore e deitou-se em um ninho.
"É incomum que chimpanzés durmam durante o dia", explica Huffman.
Então aconteceu algo extraordinário.
Chausiku desceu da árvore, pegou seu filho, caminhou devagar e com dificuldade, seguida pelo grupo, até que se sentou em frente a um arbusto.
"O nome do arbusto é mjonso", explicou Mohamedi Seifu Kalunde, assistente de pesquisa de Huffman.
Kalunde é um renomado especialista na selva local. Ele foi treinado por seus pais e avós na arte da fitoterapia, estudo das plantas medicinais. "É um medicamento muito poderoso e importante para nós", ele diz.
A planta, que em português é chamada de vernonia (Vernonia amygdalina), é usada na Tanzânia para tratar malária, parasitas intestinais, diarreia e dores de estômago.
Muitos outros grupos na África tropical e na América Central — que conhecem a erva por vários nomes, mas geralmente como "folha amarga" — também a usam para tratar doenças como malária, esquistossomose, disenteria amebiana e outros parasitas intestinais e dores de estômago.
A chimpanzé Chausiku arrancou alguns galhos e removeu a casca e as folhas, que se ingeridas em grandes quantidades podem ser letais.
O interessante — além de não ser uma planta que faça parte da alimentação desses primatas — é que Chausiku mastigou o miolo e depois cuspiu as fibras.
Será que a chimpanzé fazia isso não para se alimentar, mas para se sentir melhor?
Em outras palavras, Chausiku estava usando a erva deliberadamente como um medicamento?
Chausiku foi dormir em seu ninho mais cedo do que de costume.
No dia seguinte, Huffman e Kalunde notaram que ela continuava se sentindo mal: ela precisava descansar com frequência, movia-se devagar e comia pouco.
Mas tudo mudou cerca de 24 horas após a ingestão da seiva amarga de mjonso. A chimpanzé correu pela floresta até chegar a um prado pantanoso, onde devorou ​​grandes quantidades de figos, tutano de gengibre e capim elefante.

Para saber qual o final desta história basta acessar o G1

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