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Apesar da pandemia, níveis globais de gases do efeito estufa sobem em 2020

15/04/2021

Mesmo com políticas de lockdown e isolamento social e a desaceleração da economia causada pela pandemia de Covid-19 no mundo, os níveis de dois dos mais importantes gases do efeito estufa —dióxido de carbono (CO2) e metano— continuaram a subir em 2020, segundo a Noaa (Agência de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos).
Segundo amostras coletadas de locais remotos da Noaa, a quantidade média de CO2 na superfície global foi de 412,5 ppm (partes por milhão) em 2020, um aumento de 2,6 ppm no ano. É o quinto maior aumento anual de acordo com os registros da Noaa, depois de 1987, 1998, 2015 e 2016. Sem a recessão, o aumento teria sido o maior já registrado, segundo Pieter Tans, cientista sênior do Laboratório de Monitoramento Global da Noaa.
Os níveis de CO2 na atmosfera são os maiores num período de 3,6 milhões de anos, época em que as concentrações do dióxido de carbono estavam entre 380 ppm e 450 ppm. Naquela época o nível do mar estava 23 metros acima do de hoje e a temperatura também era maior do que nos níveis pré-industriais.
O laboratório da Noaa faz medições acuradas dos três principais gases-estufa: dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, em quatro pontos de observação no Havaí, no Alaska, na Samoa Americana e no Polo Sul, e com base em amostras coletadas por voluntários em mais de 50 pontos pelo mundo.
As análises também apontaram uma alta significativa de metano na atmosfera. O gás é menos abundante mas 28 vezes mais potente do que o CO2. A alta em 2020 foi de 14,7 ppm, o maior aumento anual desde que a medição sistemática começou, em 1983.
O metano na atmosfera é gerado por diferentes fontes, como o desenvolvimento e o uso de combustíveis fósseis e como subproduto da criação de gado.
"Apesar do aumento das emissões fósseis não ser totalmente responsável pela alta nos níveis de metano, a redução das emissões é um passo importante para mitigar a mudança climática", disse Ed Dlugokencky. químico e pesquisador da Noaa.

Fonte: Folha de S. Paulo

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