
13/08/2021
É como uma história de detetive fascinante, descreve o pesquisador colombiano Óscar A. Pérez Escobar à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
O cientista, dos Reais Jardins Botânicos de Kew, em Londres, no Reino Unido, e seus colegas revelaram como era a complexa "vida amorosa" de uma planta séculos atrás.
E fizeram isso graças a um objeto que alguém enterrou, há mais de 2 mil anos, em um cemitério egípcio de animais mumificados.
Decifrar os segredos genéticos desse artefato permitiu desvendar a domesticação de uma planta cujo fruto é consumido por milhões de pessoas ao redor do mundo: a tamareira.
E essas informações são fundamentais para o futuro, diz Pérez Escobar.
Ele é um dos principais autores do novo estudo sobre essa descoberta, publicado na revista científica Molecular Biology and Evolution e resultado de um esforço internacional. Os pesquisadores do Kew trabalharam em cooperação com 15 instituições em quatro continentes.
O estudo foi feito a partir da chamada "arqueogenômica", ciência que o cientista compara a uma "máquina do tempo".
Pérez Escobar conversou com a BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, sobre a descoberta, sua importância diante das mudanças climáticas e a vocação que descobriu entre as orquídeas nas florestas nubladas da Colômbia.
BBC News Mundo: Onde foi encontrado o artefato egípcio que revelou, como o Sr. diz, "a vida amorosa" desta planta há milhares de anos?
Pérez Escobar: O objeto que estudamos foi encontrado na necrópole animal de Saqqara, no Egito. O local é de grande interesse arqueológico porque ali foram encontrados milhões de animais mumificados, entre outros artefatos, que permitiram compreender os modos de vida e a evolução das sociedades egípcias em diferentes períodos do tempo.
O artefato tem 2,1 mil anos de acordo com a análise de datação por isótopos de carbono-14.
Ele foi encontrado durante uma expedição liderada em 1971 pela Sociedade de Exploração Egípcia (atualmente, Ministério das Antiguidades Egípcias) e estudado pela primeira vez pelo botânico inglês Frank Nigel Hepper (1929-2013), que era associado aos Reais Jardins Botânicos de Kew na época. O objeto foi doado pela Sociedade Egípcia de Exploração à instituição britânica para pesquisas científicas.
BBC News Mundo: No estudo, o Sr. e seus colegas descrevem o artefato como misterioso. Sabemos para que ele era usado?
Pérez Escobar: Quando o artefato foi encontrado, pensava-se que fosse uma espécie de suporte para apoiar a cabeça, mas não havia registros semelhantes de objetos com essa função.
Porém, um objeto semelhante encontrado na mesma localidade, mas melhor documentado, indica que seu verdadeiro uso era para vedação de vasos para armazenamento de líquidos.
A entrevista completa pode ser lida no G1
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