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Litoral Norte registra o dobro de mortes de baleias jubarte em 2021, diz instituto

17/08/2021

Dez baleias-jubarte foram encontradas mortas no Litoral Norte de São Paulo neste ano, de acordo com o levantamento do Instituto Argonauta. O número é mais que o dobro de registros do ano passado, em que foram registrados quatro óbitos na região entre agosto e outubro. De acordo com pesquisadores, os óbitos estão ligados a pesca e mudanças climáticas.
Os óbitos foram registrados entre 19 de maio e 12 de agosto. O período é considerado a temporada de baleias no Litoral Norte, quando viajam cerca de dois meses das águas frias para o calor brasileiro para se reproduzirem. Os animais foram encontrados mortos em praias de São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba.
A última baleia morta foi encontrada nesta quinta-feira (12), na praia de Santiago, em São Sebastião. O animal era uma fêmea juvenil, da espécie jubarte, com cerca de sete metros.
Segundo os especialista, há uma diminuição de krill, uma espécie de peixe que é alimento das baleias, na Antártida neste ano. A redução está ligada ao aquecimento global.
"Elas estariam sofrendo com a privação de alimentos. As baleias têm o hábito de engordar na Antártida e chegarem aqui com reserva. Neste ano, elas não estariam chegando com essa reserva. Acreditamos que elas estão morrendo de fome", explica o oceanólogo Hugo Gallo do Instituto Argonauta, que monitora a fauna marinha no litoral.
Uma pesquisa do instituto Viva Baleias e Golfinhos acompanha a passagem de jubartes pelo Litoral Norte. Durante a temporada de baleias, as jubartes costumavam viajar cerca de mil quilômetros até a Bahia, onde as águas são quentes, para a reprodução.
Além das mudanças climáticas, que causam a morte de forma indireta, há ainda óbitos por intervenções diretas. De acordo com o instituto, das dez mortes de baleias-jubarte, quatro foram causados por rede de pesca. Além disso, um dos animais encontrado morto no litoral norte tinha engolido lixo.
Há alguns anos, elas passaram a cortar o litoral de São Paulo na rota, mudando o caminho. Até 2014, apenas cinco baleias haviam sido vistas na região. O número vem crescendo ano a ano e os pesquisadores alertam que a mudança no comportamento precisa estar acompanhada de ações de segurança para os animais, como orientações sobre pesca.
“Há causas com intervenção humana. A pesca é uma ameaça a esses animais. A grande maioria entre as mortes são baleias jovens. Tínhamos que pensar maneiras de tornar a pesca proibida nesta época do ano”, explica o oceanógrafo.

Fonte: G1

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