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A desconhecida e ameaçada ´Galápagos´ da Europa

14/09/2021

São por volta de 8h da manhã, e sinto um ar frio enquanto olho para o horizonte nebuloso do Lago Ohrid, que fica na fronteira entre a Albânia e a Macedônia do Norte.
Um grupo de pequenos barcos de pesca de madeira, pintados com cores primárias fortes, vai aumentando lentamente à medida que se movem em direção à costa.
Um deles encosta na margem ao meu lado, onde um senhor com um boné de beisebol surrado está esperando para comprar peixe do pescador.
Os pescadores vão para o lago todas as manhãs, a partir das 4h, para pescar a truta de Ohrid — conhecida na costa albanesa como "koran".
É uma espécie que existe apenas neste lago e que é muito procurada em toda a região graças à sua deliciosa carne rosada, que costuma ser grelhada ou assada.
É popular aqui desde os tempos medievais, quando era celebrada na poesia.
O problema é que essa popularidade está ameaçando agora sua existência. Na década de 1990, eram pescadas mais de 120 toneladas por ano no lago. De 2012 a 2018, a média foi de 61 toneladas.
"Trinta anos atrás, podíamos sair com cerca de cinco linhas e pescar 30 kg", conta Roland Bicja, um pescador de Lin, uma vila pitoresca repleta de flores silvestres situada na margem albanesa do lago.
"Agora, colocamos 100 anzóis e mal pegamos 3 kg."
Cada família aqui tem uma longa tradição na pesca, e cada casa tem seu próprio barco ancorado do lado de fora. O pai e o avô de Bicja eram pescadores, e ele descreve ir ao lago todas as manhãs como uma experiência quase espiritual:
"Quando estou no barco, é como se [meu pai] ainda estivesse lá comigo."
Mas Bicja e seus colegas sabem que estão em uma situação precária.
Eles precisam pescar a truta de Ohrid para seu sustento, mas, se pescarem muitas, pode acabar não sobrando nenhuma — e não haverá mais ganha-pão para as diversas pessoas que trabalham no lago.
É por isso que ele e seus companheiros agora fazem parte de um projeto que visa reabastecer o lago com trutas de Ohrid, enquanto mantém os pescadores empregados.
De dezembro a março, quando os peixes estão desovando, a pesca comercial é proibida no lago.
Em vez disso, os pescadores são pagos para pescar as trutas, coletar o esperma e os óvulos sem matar os peixes, e fecundar artificialmente os óvulos.
Em seguida, são levados para uma incubadora local, onde nascem e crescem por 10 meses.
Mais tarde, os pescadores são pagos para soltá-los de volta na água.
É uma solução ambiental e social para um problema que as comunidades pesqueiras de água doce enfrentam em todo o mundo.
O Ohrid é um dos lagos mais antigos do mundo, e acredita-se que tenha se formado entre 4 milhões e 10 milhões de anos atrás.
Suas águas azuis-esverdeadas hipnóticas são cercadas por montanhas cobertas de neve, e várias cidades e vilarejos estão localizados em suas margens, nos lados albanês e macedônio.

Saiba mais no G1

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