UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia ajudam a avaliar riscos de extinção de crustáceos na Bacia do Rio Doce

21/09/2021

Um estudo inédito identificou o risco de extinção de espécies da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Dois professores do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) integram a equipe de pesquisadores que fizeram o diagnósticos. Das 13 espécies de crustáceos estudadas pelos docentes da UFU, 9 estão ameaçadas de extinção.
A pesquisa, realizada por cientistas de diversas instituições, está reunida no ´Livro Vermelho da Biota Aquática do Rio Doce Ameaçada de Extinção Pós-Rompimento da Barragem de Fundão, Mariana, Minas Gerais´, publicado em agosto deste ano. Com 273 páginas, ele está disponível gratuitamente para download. Veja no fim da matéria como acessar o conteúdo.
A equipe avaliou o estado de conservação de 4 grupos de seres vivos aquáticos: crustáceos, efemerópteros, odonatos e peixes, na área afetada pela lama com rejeitos de minério de ferro, derramada após o rompimento da barragem de Fundão, em 2015.
Ariádine Cristine de Almeida e Giuliano Buzá Jacobucci, ambos pesquisadores do Laboratório de Ecologia de Ecossistemas Aquáticos (LEEA) do Instituto de Biologia da UFU, foram convidados para a avaliação dos crustáceos decápodes, aqueles que têm 10 pés, como o caranguejo e o camarão, em função das experiências que acumulam em estudos ecológicos com espécies desse grupo.
“Há 14 anos venho desenvolvendo investigações com ênfase na variação espacial e temporal da abundância, estrutura populacional e reprodução destes animais, sendo os últimos 8 anos dedicados, especialmente, aos crustáceos decápodes de água doce. Já o professor Giuliano tem se dedicado a estes estudos nos últimos 10 anos, aproximadamente.”, disse Ariádine Almeida.
A docente destacou que camarões, caranguejos, siris e lagostas são os principais representantes dos crustáceos decápodes. “De maneira geral, as espécies deste grupo apresentam relevância para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, incluindo espécies bioturbadoras do sedimento [que revolvem o sedimento enquanto se enterram ou se alimentam], que modificam a disponibilidade de recursos para outros níveis tróficos, e bioindicadoras de qualidade ambiental”, explicou ela. Ou seja, a presença desses animais é fundamental para a sobrevivência de outros.
Conforme o estudo, das 13 espécies desses crustáceos, 9 encontram-se ameaçadas de extinção na Bacia Hidrográfica do Rio Doce. São 3 espécies de caranguejos (Cardisoma guanhumi, Minuca victoriana e Ucides cordatus) e 6 espécies de camarões (Atya scabra, Macrobrachium acanthurus, M. olfersii, M. carcinus, Palaemon pandaliformes e Potimirim potimirim). Dentre estas, 6 espécies foram classificadas como “em Perigo” e 3 como “criticamente em perigo”.
“Além disso, do total de 13 espécies avaliadas, 6 têm importância econômica para fins comerciais e de subsistência das populações ribeirinhas e caiçaras, em diferentes intensidades, sendo os caranguejos guaiamum e uçá os de maior relevância. Logo, os impactos causados pelo rompimento da barragem, com deposição de sedimento e alteração da qualidade da água por metais pesados e resíduos químicos, interferem no ciclo de vida destas espécies, resultando em prejuízos ao ambiente e à sociedade”, acrescentou a bióloga.
O estudo teve origem no acordo de cooperação técnica entre a Fundação Renova e a Biodiversitas, fundação de conservação da biodiversidade e gestão ambiental. A Fundação Renova foi criada a partir do compromisso das duas maiores mineradoras do mundo, a brasileira Vale S.A. e a anglo-australiana BHP Billiton, para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, que acomodava os rejeitos de minério de ferro de uma mina de propriedade da Samarco, empresa da Vale e da BHP.

Termine de ler esta matéria acessando o G1

Novidades

Holanda anuncia US$ 500 milhões em fundo florestal criado pelo Brasil

29/10/2026

O governo dos Países Baixos (Holanda) anunciou nesta segunda-feira (26) que pretende investir US$500...

Cidade portuguesa adota soluções sustentáveis sem alterar patrimônio histórico

29/10/2026

Como implementar estruturas sustentáveis, painéis solares, por exemplo, em sítios tombados pelo patr...

Crise climática causa danos cada vez maiores à saúde e exige emergência sanitária global, apontam cientistas

29/10/2026

Os impactos das mudanças climáticas na saúde estão aumentando mais rapidamente do que há uma década,...

Trump afrouxa regras que obrigavam empresas a diminuir emissão de gás superpoluente

29/10/2026

O governo Donald Trump está avançando para enfraquecer regras federais destinadas a obrigar empresas...

Gases de efeito estufa atingem níveis sem precedentes, diz ONU

29/10/2026

Os gases de efeito estufa atingiram níveis sem precedentes na atmosfera em 2025, segundo relatório a...