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E se a Amazônia virar savana e o planeta aquecer demais? Estudo estima que 12 milhões irão sofrer com calor extremo na região

05/10/2021

Em ritmo acelerado de devastação em meio às mudanças climáticas, parte da Amazônia já trocou uma vegetação de floresta por uma com plantas rasteiras, a chamada "savanização". Há chance de reverter esse cenário, mas existe também a de o comportamento humano não mudar e tudo virar uma grande savana. Além disso, e se o planeta continuar aquecendo e chegar até o pior cenário possível, como uma temperatura extra de 8,5ºC em comparação com o período pré-revolução industrial?
Uma tentativa de resposta à pergunta está em um estudo publicado na sexta-feira (1º) por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP). Por enquanto, eles avaliaram a quantidade de pessoas que passaria por situações extremas de calor.
A resposta é: 12 milhões iriam sofrer com o problema até 2100 apenas na bacia amazônica - dados do último censo demográfico do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) estimam que vivem 20,3 milhões de pessoas na região. Esse resultado é subestimado, já que os dados não levaram em consideração o fato de que a população deve aumentar nos próximos anos.
Beatriz de Oliveira, pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz e uma das autoras, diz que foram usados indicadores reconhecidos em outros estudos para medir o estresse devido ao calor: "O que esses indicadores fornecem: uma medida de quanto o seu corpo aguentaria em termos de exposição e que pudesse não ter comprometimento com a troca de calor para o meio externo".
"A gente sabe que a saúde humana é complexa, e a gente só avaliou o estresse térmico. Mas a gente sabe que existem outros efeitos. Essas condições ambientais podem se tornar inadequadas para várias atividades e podem atingir níveis que são limitantes para a sobrevivência”, explicou Oliveira.
Dentre as milhões de pessoas que podem ser afetadas em todo o país, 42% residem em municípios do Norte do país, região que apresenta baixa capacidade de resiliência e alta vulnerabilidade social.
Até o momento, em toda a Amazônia, já foram desmatados mais de 1 milhão de km² (18%). Outra porção quase idêntica (17%) se encontra em vários estágios de degradação.
O climatologista Carlos Nobre, que é um dos autores, afirma que "vários estudos científicos têm mostrado que há um grande risco de ´savanização´ de grande parte da floresta Amazônica".
"O ponto de não retorno poderia ocorrer entre 20 e 30 anos, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, juntamente com a manutenção das taxas atuais de desmatamento e degradação florestal", disse. O "ponto de não retorno" é o momento em que a floresta já foi tão devastada que não conseguiria mais se recuperar.

Para terminar de ler esta matéria acesse o g1

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