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As imagens que mostram como maior lago da América do Sul está ficando verde, com consequências fatais

19/10/2021

Uma tragédia econômica, de saúde pública e ambiental.
É assim que especialistas e cientistas ambientais descrevem o Lago de Maracaibo, o coração da indústria petrolífera da Venezuela e que já foi o motor econômico do país. É considerado por alguns o maior lago da América do Sul — apesar de certos especialistas classificarem Maracaibo como uma baía ou até mesmo uma lagoa.
As declarações são uma reação a imagens de satélite divulgadas pela Nasa, a agência espacial americana, em 25 de setembro, que mostram o lago verde com manchas de óleo em sua superfície.
Com uma área de 13 mil quilômetros quadrados, esse corpo d´água com acesso ao Mar do Caribe não tem sido apenas o suporte econômico da Venezuela e de sua segunda cidade mais importante em décadas.
Também é lar e fonte de trabalho para muitas comunidades pesqueiras que dali tiram seu sustento.
As imagens da Nasa mostram redemoinhos de cor verde, marrom e cinza que obedecem às próprias correntes naturais e que, segundo especialistas, dispersam os poluentes por todo o lago.
A bióloga Yurasi Briceño, que atua na área desde 2017, aponta várias causas para o fenômeno.
A cor verde é causada pelas algas que se alimentam dos nutrientes presentes nas águas do lago.
À primeira vista isso não parece ser problemático, "mas para os pescadores é uma tragédia", diz Briceño à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
Essas algas são constituídas por uma cianobactéria, tipo de bactéria capaz de fazer fotossíntese e que cresce com o consumo de nutrientes como nitrogênio e fósforo.
Esses nutrientes vêm de descargas domésticas e industriais de cidades costeiras e instalações próximas que fazem com que o nitrogênio se acumule e essas algas se multipliquem na superfície do lago.
As algas formam uma camada que "bloqueia a luz do sol e impede que a vegetação do leito do lago cresça naturalmente", explica Briceño.
Eles também impedem que outras plantas façam fotossíntese, limitando assim o oxigênio e reduzindo a população de peixes e de outras espécies.
"Quando há uma explosão dessas algas, elas passam a consumir o oxigênio dissolvido que está na água e a zona anóxia (ausência quase total de oxigênio) retorna. Não existe mais a mesma disponibilidade de oxigênio para os organismos que precisam dele", diz Briceño.
"Aí começamos a observar uma mortandade de peixes", acrescenta.
Outro problema dessas algas, destaca Briceño, é que elas podem ter componentes tóxicos para o homem.
"Quando os peixes comem essas algas e depois são consumidos pelas pessoas, esses componentes passam para o corpo dos pescadores, num efeito cumulativo", afirma.

Leia a matéria até o final acessando o g1

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