
21/10/2021
O La Niña está de volta pelo segundo ano consecutivo.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), órgão do governo americano, o fenômeno climático responsável por invernos rigorosos e grandes secas em todo o mundo chegou novamente e será sentido por vários meses.
Após um período de relativo equilíbrio atmosférico desde o início do ano, o La Niña se intensificará nas próximas semanas e só vai perder força na primavera de 2022, o que pode impactar no regime de chuvas, no final da temporada de furacões e na intensidade do inverno boreal que se aproxima.
"As condições do La Niña se desenvolveram e devem continuar com 87% de probabilidade entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022", informou a agência.
De acordo com o comunicado, especialistas começaram a perceber que o evento climático se aproximava no último mês, quando detectaram vários fatores que apontavam para o seu desenvolvimento, entre eles:
✔️ temperaturas da superfície do mar abaixo da média no Pacífico equatorial;
✔️ anomalias térmicas na maior parte do Oceano Pacífico central e oriental;
✔️ anomalias nos ventos de leste em níveis baixos e nos ventos de oeste nos níveis superiores da atmosfera.
Embora geralmente os sinais de sua ativação comecem a ser detectados no verão boreal, agora, como aconteceu em 2017, o La Niña começou a se manifestar no outono.
"Nossos cientistas estão acompanhando o desenvolvimento potencial de La Niña desde este verão, e foi um fator na previsão para a temporada de furacões acima do normal que vimos se desenrolar", disse Mike Halpert, vice-diretor do Centro de Previsão do Clima da NOAA.
Mas o que é La Niña e como afeta o clima do nosso planeta e da América Latina?
Para entender o que é La Niña, é necessário explicar o fenômeno mais geral em que está inserido: o chamado evento ENOS ou El Niño-Oscilação Sul.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, principalmente nas zonas equatoriais.
Ele ocorre normalmente em intervalos médios de quatro anos, geralmente em dezembro, próximo ao Natal e, por isso, é chamado assim, em referência ao "Niño Jesus" ("Menino Jesus").
O El Niño causa o enfraquecimento dos chamados ventos alísios (deslocamentos de massas de ar quente e úmido em direção às áreas de baixa pressão atmosférica das zonas equatoriais do globo terrestre).
Esses ventos sopram de leste para oeste, acumulando água quente na camada superior do Oceano Pacífico perto da Austrália e Indonésia.
Assim, quando o El Niño ocorre, a camada de águas superficiais quentes do Pacífico acaba se deslocando ao longo do Equador em direção à América do Sul.
Ventos quentes favorecem a evaporação e, por consequência, a formação de nuvens.
No Brasil, isso normalmente se traduz em mais chuvas na região Sul e menos chuvas nas regiões Norte e Nordeste.
Leia a matéria na íntegra no g1
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