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O projeto inovador que salvou corais da destruição após furacão

09/11/2021

Com o banco de corais partido ao meio e os corais transformados em escombros, o mundo subaquático do Parque Nacional Laughing Bird Caye, na costa de Belize, não se parecia em nada com o lugar vibrante e colorido que prosperava com vida antes de ser varrido pelo furacão Iris, em 2001.
A tempestade deixou a água turva e lamacenta, enquanto criaturas mortas em decomposição eram arrastadas para a costa.
Quando Lisa Carne visitou a ilha pela primeira vez, em 1994, havia tantos corais elkhorn laranja-avermelhados enormes entrelaçados, que ela mal conseguia nadar entre eles ou ao seu redor.
O recife era abundante em peixes, corais, lagostas, caranguejos, esponjas e tartarugas marinhas. Mas, depois do furacão, tudo isso foi destruído.
Com apenas alguns corais sobreviventes, o local parecia mais um cemitério.
Não era a primeira vez que Carne via um recife morto. Em 1995, ela se mudou da Califórnia para Belize, e trabalhou como assistente de pesquisa voluntária na Carrie Bow Cay, uma estação de campo da Smithsonian Institution.
Ela testemunhou os efeitos do primeiro fenômeno de branqueamento de coral em Belize, que abriga a segunda maior barreira de corais do mundo.
O branqueamento deixa a estrutura dos corais intacta, mas o coral perde as algas que vivem em uma relação endossimbiótica com seus pólipos.
Embora alguns corais se recuperem à medida que as algas retornam, muitos morrem.
O furacão Iris foi catastrófico de uma maneira diferente.
Não apenas matou corais, como também arrancou sua estrutura, tornando a recuperação ainda mais difícil.
Carne quis começar a repovoar imediatamente os recifes com o plantio de corais, mas demorou muitos anos para convencer os financiadores de que sua ideia era viável.
As pessoas argumentavam, e ainda argumentam, que sem resolver os problemas que causam a morte dos corais, colocá-los de volta no recife não faria sentido.
Durante cinco anos após o furacão Iris, o recife ficou descoberto. Havia poucos corais vivos, cardumes de peixes ou lagostas, e o fundo do mar estava coberto de destroços de recife e esponjas incrustadas.
Carne começou a apresentar suas propostas de restauração em 2002, mas por vários anos não teve sorte.
Até que, em 2006, os Estados Unidos colocaram os corais acroporídeos caribenhos (o tipo de coral ramificado de crescimento mais rápido no Caribe e principal formador de recifes) na lista de ameaçados de extinção, e um financiador local aprovou o projeto de Carne para restaurar o recife.
Carne começou fazendo um teste, transplantando 19 fragmentos de coral elkhorn da principal barreira de recife a cerca de 31 km de distância.
"As pessoas me perguntavam por que estava indo tão longe em busca dos corais", lembra Carne.
"Elas pensavam que esses corais eram comuns, como areia. Mas, depois de duas semanas de mapeamento, descobri que eles não estavam mais em todos os lugares."
Na verdade, ela descobriu que a estrutura e cobertura dos corais —que abrangiam de 15% a 28% da área do parque nacional antes da tempestade— haviam caído para menos de 6%.
Uma série de casos de branqueamento se seguiram ao furacão, mas nem tudo foi perdido.
Carne percebeu que havia bolsões no recife que ainda pareciam relativamente saudáveis.
Como a sobrevivência inicial dos transplantes realizados em 2006 foi alta (mais de 80% ainda estão vivos hoje), ela continuou a identificar os corais sobreviventes e começou a semear novamente os recifes em 2010.
Mas restaurar um recife não é tão simples quanto pode parecer e envolve tentativa e erro, geralmente com aprendizados ao longo do caminho.
Quando os cientistas começaram a explorar a ideia de restauração de recifes, eles pensavam que quanto maior o transplante, maior a chance de sobrevivência.
Mas, em 2015, o biólogo marinho David Vaughan descobriu que o oposto também pode ser verdadeiro —quanto menor o fragmento, mais rápido ele cresce.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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