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Tempestade de areia, furacão e ´dia virando noite´: os eventos extremos que indicam mudanças climáticas no Brasil

09/11/2021

Pessoas correndo e gritando desesperadas enquanto um paredão de areia avança e cobre municípios inteiros. Grandes cidades escurecendo às 15h por conta da fumaça produzida por um incêndio a milhares de quilômetros de distância.
As cenas registradas durante uma tempestade de areia no interior paulista, em setembro deste ano, e após um incêndio na Amazônia fazer com que partículas e fumaça chegassem a cidades como São Paulo e Curitiba, um ano antes, são reflexo das mudanças climáticas e do aumento das temperaturas no mundo, segundo meteorologistas e cientistas climáticos ouvidos pela BBC News Brasil.
Francisco de Assis, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), diz que os fortes temporais, rajadas de vento e seca extrema registrados nos últimos anos no Brasil também são demonstrações de que o planeta se aqueceu nas últimas décadas.
"Vários fenômenos que têm acontecido desde os anos 2000 no Brasil estão associados à alta variação do clima decorrente do aquecimento que a Terra está passando", afirma o meteorologista.
"Aumento dos temporais, ventos fortes, tornados. Também tem as secas mais prolongadas, em 2001 na região Sudeste, em 2014/2015 e agora de novo, em 2020/2021. Se não fossem as termelétricas, a gente teria ficado sem energia."
Em 2020, Cuiabá, capital do Mato Grosso, registrou a maior temperatura em mais de cem anos: 42,7ºC, segundo medição do Inmet.
Em outubro de 2020, o Estado de São Paulo registrou a maior alta da história. Foi na cidade de Lins, no oeste paulista, onde o Inmet registrou 43,5ºC.
Assis explica que as mudanças na temperatura causam uma alta irregularidade das chuvas. Isso faz com que ocorram mais precipitações em alguns locais e menos em outros.
Isso é causado, segundo ele, por bloqueios atmosféricos que geram alterações dos ventos em altitudes mais elevadas.
Assis afirma que essas mudanças são causadas tanto por fatores naturais sazonais quanto por influência do homem, por conta da queima de combustíveis fósseis.
"Isso impactou diretamente, por exemplo, nos veranicos (períodos de estiagem na estação chuvosa). Eles duravam de 10 a 15 dias, mas hoje chega a ficar 30 dias sem chover em janeiro e fevereiro, impactando o nível dos reservatórios e as lavouras", diz.
Carlos Nobre, cientista do clima, também credita à elevação mundial nas temperaturas os fenômenos atípicos que têm sido testemunhados.
"Vimos ondas de calor e secas extremas, como a de 2012 a 2018 — a mais prolongada do Nordeste. Inundações, que aconteciam a cada 20 anos, tivemos em 2009, 2012 e 2021. Sem contar o nível recorde do rio Negro, no Amazonas, por conta dos recordes de chuva intensa", explica à BBC News Brasil.
Em junho deste ano, o rio Negro teve sua maior enchente em todo o registro histórico, iniciado em 1902.
Nobre explica que o aumento das temperaturas causa um desequilíbrio nas chuvas.
"Isso acontece porque o vapor d´água sobe, a atmosfera fica com mais vapor, formam-se gotículas e chove. Hoje, com 1,5ºC a 2ºC mais quente, a seca fica ainda mais rigorosa e a chuva, também", afirma.
Ele explica que o calor também causa mais evaporação e as ressacas se tornam ainda mais fortes. As tempestades geradas nos mares se tornam mais intensas e causam grandes ondas oceânicas.

Saiba mais no g1

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