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A luta de mãe que perdeu filha vítima de poluição

16/11/2021

"Corri com minha filha Ella ao hospital 28 vezes em seus últimos 28 meses de vida. Cada uma dessas vezes, ela ofegava para respirar como se estivesse se afogando", diz a britânica Rosamund Kissi-Debrah, mãe da primeira pessoa a ter poluição do ar citada como causa de óbito.
Sua filha Ella, faleceu em 2013 aos nove anos de idade. Mas foi apenas em 2020 que um legista finalmente confirmou que a poluição do ar expelida pelo tráfego de veículos perto de sua casa, em Londres, foi uma causa significativa da asma que a acompanhou por anos e, finalmente, resultou em sua morte.
Segundo relatório de 2018 da Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez pessoas no mundo respiram ar poluído. A maioria das megacidades globais ultrapassam em cinco vezes os níveis aceitáveis de poluição, representando um grande risco para a saúde dos habitantes.
Embora Ella seja até o momento a única pessoa a ter a poluição atmosférica como uma das causas oficiais de sua morte, a OMS estima que, a cada ano, aproximadamente 7 milhões de pessoas vêm a óbito em função da poluição do ar — tanto daquela encontrada ao ar livre, quanto dentro de suas próprias casas.
Foi o que aconteceu com Ella. "Vivemos a apenas 25 metros de uma das estradas mais congestionadas do Reino Unido, onde, ao que parece, a poluição do ar excede persistentemente os níveis considerados aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde", diz sua mãe, Rosamund.
De acordo com a Our Children´s Air, uma plataforma onde pais e mães de todo mundo podem compartilhar histórias sobre como seus filhos têm sido afetados pela qualidade do ar, crianças inalam de duas a três vezes mais ar poluído que seus pais, em função da velocidade de sua respiração, que é mais rápida do que a dos adultos.
Ella era uma garota saudável, ativa e esportiva, que jogava futebol, andava de bicicleta e nadava. No entanto, a jovem ficou tão gravemente doente com asma que o simples ato de respirar se tornou um fardo.
"Ela teve centenas de ataques [de asma], e muitas vezes eu tive a sorte de ressuscitá-la sozinha", diz Rosamund. "Ella passou seus últimos anos de vida sabendo que poderia morrer — e isso finalmente aconteceu em 2013", diz a britânica.
Embora seu caso seja singular, como única pessoa no mundo a ter poluição do ar listada em sua certidão de óbito, a história de Ella é representativa da realidade de milhões de crianças ao redor do mundo.
"O ar poluído está envenenando milhões de crianças e arruinando suas vidas", diz Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS. "Isso é imperdoável. Todas as crianças devem ser capazes de respirar ar puro para que possam crescer e atingir todo o seu potencial".
Segundo o relatório de 2018 da OMS, todos os dias, cerca de 93% das crianças com menos de 15 anos no mundo (1,8 bilhão de crianças) respiram um ar tão poluído que sua saúde e seu desenvolvimento são colocados em risco.
Além de respirarem mais rápido que os adultos, as crianças passam muito tempo mais perto do solo, onde alguns poluentes atingem concentrações máximas. Apenas em 2016, estima-se que 600 mil crianças morreram de infecções respiratórias causadas por ar poluído.
O relatório revela, ainda, que mulheres grávidas que são expostas ao ar poluído têm maior probabilidade de dar à luz prematuramente. Além disso, ele conclui que a poluição do ar também afeta o neurodesenvolvimento e a capacidade cognitiva das crianças, e pode desencadear asma e câncer infantil. Crianças que foram expostas a altos níveis de poluição do ar podem correr maior risco de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, mais tarde na vida.

Saiba mais no g1

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