UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
O futuro do ´futuro verde´ no Brasil

16/11/2021

Na sexta (12), último dia da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas (COP26), ainda se discutia o conteúdo do relatório final. As negociações terminaram no dia seguinte, com a assinatura do acordo pelos 200 países membros.
Na última quinta (11), o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Joaquim Leite, em seu discurso oficial, proclamou que "o futuro verde já começou no Brasil" e prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2028.
Entretanto, no mesmo dia, números divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelaram que, em outubro, 877 km2 da Amazônia legal estavam sob alerta de desmatamento, um recorde para o mês desde que dados mensais começaram a ser divulgados em 2015.
O primeiro semestre de 2021 já havia registrado a maior área sob alerta de desmatamento desde 2015. Portanto, a tendência de crescimento persiste.
O ministro declarou, ainda, que "onde existe muita floresta existe muita pobreza".
I-na-cre-di-tá-vel!
Essa frase demonstra desconhecimento do que é a floresta, do que é a pobreza, do que é a riqueza, e do que é a Amazônia. A comitiva do governo brasileiro, que chegou desacreditada na COP26, terminou sua participação de forma vergonhosa.
Dados do MapBiomas mostram que entre 1985 e 2020 as áreas urbanizadas no Brasil dobraram, com um crescimento anual maior do que o crescimento populacional. Cerca de 13% das áreas urbanas em 2020 eram vegetação nativa em 1985, e o cerrado foi o bioma que mais perdeu cobertura vegetal (33%), seguido da Amazônia (24%).
Além disso, cerca de 5% do crescimento urbano foi informal, ou seja, de forma irregular, com carência de serviços públicos, por vezes localizado em áreas com restrição a ocupação devido a riscos ambientais.
A maioria do crescimento informal se deu na Amazônia. No estado do Amazonas, por exemplo, 45% do crescimento urbano entre 1985 e 2020 foi de áreas informais; dentre as capitais, Belém (52%) e Manaus (48%) lideraram.
Esse crescimento informal, desassistido de políticas públicas, cria bolsões de vulnerabilidade e pobreza nas cidades.
No bioma Amazônia, essa pobreza não acontece porque o Brasil tem muita floresta, mas pela perversidade do modelo de desenvolvimento cujo pilar é a destruição vegetal, não a conservação.
Áreas de crescimento urbano informal oferecem condições favoráveis a transmissão de doenças infecciosas e parasitárias. A expansão da dengue na Amazônia acompanha a expansão urbana informal, e a pandemia da Covid mostrou como vulnerabilidades locais —​moradia, serviços, acesso e transporte precários— contribuíram para maior exposição ao risco de infecção e morte. "Normalizar" essa vulnerabilidade é uma negligência social e humana, uma ameaça ao significado de democracia.

Termine de ler esta reportagem na Folha de S. Paulo

Novidades

Projeto da Escola Politécnica da UFRJ realiza oficina educativa sobre deslizamentos de terra em evento científico

27/10/2026

Como a educação pode ajudar a prevenir deslizamentos e reduzir riscos de desastres? Essa é a questão...

Jacarés em áreas urbanas de Niterói: ´De alguma forma eles também estão se adaptando às mudanças´, diz biólogo

27/10/2026

De 1º de janeiro a 19 de outubro de 2026, o Corpo de Bombeiros (CBMERJ) realizou o resgate de oito j...

Condições do tempo contribuem para que cariocas convivam com sons de esperanças, grilos e rãs em pleno território urbano

27/10/2026

Tem caído tanta chuva este ano no Rio de Janeiro que a floresta transbordou para a cidade. Uma inund...

Edital destina R$ 835 mil para produtores rurais preservarem araucárias

27/10/2026

Acaba de ser lançado o edital da 2ª Edição do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais da Arauc...

Nascimento de cavalos-marinhos é registrado em aquário no Paraná; veja vídeo

27/10/2026

O nascimento de centenas de minúsculos cavalos-marinhos foi registrado em vídeo por um aquário em Fo...

6 toneladas de vidro de Noronha vão para reciclagem no Recife

27/10/2026

Fernando de Noronha teve uma nova destinação para as garrafas de vidro descartadas em bares, restaur...