
16/11/2021
A Classe A voltou os olhos para o Brasil, com as fronteiras dos principais destinos do mundo fechadas aos estrangeiros. E o setor turístico teve que se preparar para esse turista que demanda serviços ainda escassos por aqui. O ecoturismo foi a porta de entrada desse consumidor menos comum. Destinos como Lençóis Maranhenses e Jericoacoara (CE) e Foz do Iguaçu tiveram que se adaptar para oferecer vivências diferentes para esse novo público, que conseguiu manter a renda durante a pandemia.
— Conseguimos atender a esse tipo de público, um cliente que chega de helicóptero, com experiências diferenciadas. Fizemos jantar no meio das dunas nos Lençóis Maranhenses. As empresas tiveram que se reinventar, encontrar novos formas de se mostrar o destino. Hoje, conseguimos atender ao lazer do mais econômico ao mercado Classe A, que era oque estava disponível no momento com dinheiro e condições de viajar — afirmou Carina Câmara, coordenadora da Câmara Temática de Turismo do Consórcio Nordeste.
Ela diz que o turismo no país se aperfeiçoou muito com isso, "foram gerados novos serviços de luxo", diz.
Ela reconhece que uma parte desses novos turistas vai voltar a viajar para o exterior conforme as fronteiras forem reabrindo, mas vê esse mercado crescendo. E sustentabilidade é fundamental nos debates e políticas para o turismo, na opinião de Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação.
— Sustentabilidade é crucial, podem ser feitas parcerias para administrar parques nacionais, como existe nos EUA.
Leonel Andrade, presidente da CVC, observa que a pandemia obrigou o brasileiro de maior renda a conhecer mais o país e a perceber que o nível de serviços e o conforto competem com os melhores hotéis lá fora. E há uma janela de oportunidade ainda a ser aproveitada.
Os países reabrem suas fronteiras lentamente, com exigência de vacinação, testes e vistos.
— Para os Estados Unidos que reabriu agora, estão marcando o agendamento de visto para o fim do ano que vem. Temos que aproveitar esse momento. É uma tendência que precisa ser fomentada, permitindo um desenvolvimento diferente do turismo doméstico — diz Jerome Cadier, à frente da Latam Brasil.
E o meio ambiente é peça-chave nesse setor, continua Andrade, que vê a discussão sobre a Amazônia restrita às questões sobre “se está queimando ou desmatando”.
— Tem que haver parcerias para saber explorar de maneira correta as belezas naturais, oferecendo incentivos, não subsídios, parcerias para levar o setor privado a investir a longo prazo.
Para ele, o turismo vive das belezas naturais do planeta e das pessoas, portanto, engajar o setor nas questões de sustentabilidade e diversidade é fundamental para o desenvolvimento:
— O setor ainda é pouco engajado nisso, mas sou otimista. Acho que voltaremos ao normal, a pandemia vai ficar para trás. Todo mundo quer viajar e conhecer o mundo. Vejo um futuro glorioso.
Fonte: O Globo
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