
18/11/2021
Se os escafandristas imaginados por Chico Buarque explorassem o mar de Atafona, lá encontrariam fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos e vestígios de uma civilização que, em parte, deixou de existir. Assim como a cidade submersa narrada na música "Futuros Amantes", o distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense, e suas memórias têm sido engolidos pela água.
Desde a década de 1960, o avanço do mar já causou a destruição de mais de 500 casas, desabrigando centenas de famílias. Dezenas de quarteirões foram para o fundo do oceano.
Apegados a Atafona, muitos moradores já trocaram de residência algumas vezes para fugir do mar, sem nunca deixar a pequena comunidade. Para eles, as perdas afetivas são mais dolorosas do que as materiais: há lugares que marcaram suas vidas para os quais nunca poderão voltar.
A erosão costeira é explicada por uma série de motivos, mas o principal é o assoreamento do rio Paraíba do Sul, que tem seu delta (tipo de foz em que o rio desemboca no mar por meio de vários canais) em Atafona.
Com cerca de 7.000 habitantes, o distrito é uma espécie de laboratório das consequências da intervenção humana em um ecossistema. Isso porque o assoreamento do rio foi causado especialmente por desvios de água para abastecimento doméstico, industrial e agrícola em São Paulo e no Rio de Janeiro.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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