
23/11/2021
Dados oficiais divulgados na quinta-feira (18) pelo Unearthed, site de notícias do Greenpeace, mostram que Alemanha, França e Bélgica registraram de setembro a dezembro do ano passado a exportação para o Brasil de mais de 1.500 toneladas de inseticidas neonicotinóides, proibidos na União Europeia, por serem prejudiciais às abelhas.
Os produtos, dependendo da concentração nos insetos, podem prejudicar a atividade locomotora, reduzindo a velocidade de voo, afetar a capacidade das abelhas de encontrar fontes de alimento e de se localizar, levando ao declínio das colmeias ao longo do tempo.
Estudos científicos mostram que os neonicotinóides afetam também as abelhas nativas.
A redução no número de abelhas por causa da intoxicação por químicos usados na agricultura prejudica a produção e a biodiversidade, já que elas são responsáveis por fazer a polinização de várias espécies vegetais.
Além da União Europeia, as agências da ONU para saúde, OMS, e para alimentação e agricultura, FAO, afirmam que há consenso crescente de que é preciso "restringir severamente" o uso de neonicotinóides, por representarem "alto risco ao meio ambiente".
Segundo a FAO, o número de insetos polinizadores está em queda em várias regiões do mundo, em parte por causa do uso de produtos químicos na agricultura.
No total, de acordo com os dados, oito membros do bloco europeu e o Reino Unido emitiram planos para exportar 3.800 toneladas dos produtos químicos a 65 países na América Latina, na África e na Ásia.
Com uma das legislações mais rigorosas em relação a agrotóxicos, a União Europeia se comprometeu no ano passado a barrar a exportação de químicos proibidos no bloco, ao lançar sua Estratégia de Produtos Químicos.
Segundo Vivian Loonela, porta-voz da Comissão, a previsão é que uma proposta legal seja apresentada em 2022 ou 2023.
Para o Brasil, foram vendidos produtos com os princípios ativos (imidacloprido, clotianidina e tiametoxam) reconhecidos como tóxicos para as abelhas por análise feita pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais), publicada em março deste ano.
Os produtos vinham sendo reavaliados pelo órgão ambiental desde 2012, após indicações de que eles poderiam ser prejudiciais aos ecossistemas. O parecer foi enviado ao Ministério da Agricultura, que afirmou estar "finalizando sua análise técnica interna". Uma decisão ministerial deve ser tomada nos próximos 30 dias.
De acordo com os dados do último trimestre de 2020, só da Bélgica estava previsto o embarque de 2,2 milhões de litros do inseticida Engeo Pleno S (baseado em tiametoxan), que, de acordo com o Greenpeace, seria "suficiente para pulverizar várias vezes todo o território belga".
Do país saiu o maior volume desses químicos no período analisado. Ao Unearthed, a ministra do Clima e Meio Ambiente, Zakia Khattabi, disse que o governo belga estuda formas legais de acabar com as exportações de produtos químicos proibidos.
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