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Sumiço da água do aquífero Urucuia, fonte do São Francisco, intriga cientistas

23/11/2021

Nuvens carregadas tapam o sol e desaguam pela primeira vez em seis meses no oeste da Bahia. Os geraizeiros, comunidades tradicionais que habitam os vales entre os famosos chapadões da região, dão as boas-vindas às pancadas de chuva que regam suas plantações de mandioca, milho e feijão.
Ainda assim, muitos deles se sentem inseguros. Várias nascentes que sempre irrigaram suas terras durante os períodos de estiagem prolongada, comuns na região, têm desaparecido. E os agricultores que sempre contaram com a estabilidade desses cursos d´água agora têm que se contentar em colher menos alimentos.
Desde os anos 1990, uma área do tamanho do estado de Alagoas —ou um quarto da floresta de cerrado das chapadas do oeste baiano— foi desmatada e transformada em um mar de fazendas de milho, soja e algodão. Um número crescente desses latifúndios utiliza água de irrigação em seus cultivos, o que lhes permite operar ininterruptamente durante o ano, tendo mais colheitas.
Eles retiram a água do aquífero Urucuia, um gigantesco reservatório que fica abaixo das chapadas e dos rios que as cruzam. Os geraizeiros, que vivem do cultivo das terras mais acidentadas e pouco aptas para a agricultura mecanizada que é praticada nos planaltos, há muito afirmam que a irrigação em grande escala está roubando a água das suas nascentes nos vales. Mas até agora pouca atenção tem sido dada ao problema.
Recentemente, no entanto, os agricultores ganharam aliados: hidrólogos têm conseguido provar que o aquífero Urucuia está diminuindo e que os rios do oeste baiano estão secando.
Alguns cientistas afirmam que essas mudanças podem estar enfraquecendo as nascentes, apesar de ninguém ter estudado ainda por que elas estão prejudicadas. Os especialistas ainda não chegaram a um consenso sobre quem, ou o quê, seria o maior culpado da diminuição dessa fonte de água, embora todos concordem que o agronegócio tem ao menos uma parcela de responsabilidade.
Em setembro passado, ao lado de um rio próximo ao seu sítio, o geraizeiro Eldo Moreira Barreto contemplava a corrente que serpenteava em um pequeno oásis coberto de capim alto e verde, circundado por uma frondosa mata ciliar.
A menos de cem metros dali, uma floresta de árvores espinhosas e sem folhas, provavelmente em hibernação, cobria a terra ondulante até onde a vista alcançasse.
"Olha, que beleza de palmeira!", dizia, apontando para um buriti. "Essas árvores só crescem em áreas úmidas, como esta. Quando eles estão bem, as nascentes estão saudáveis."
Mas a nascente já não é mais tão pujante e saudável quanto no passado. E isso o preocupa porque ela é a fonte da irrigação de seus terrenos e do vilarejo de Praia, a poucos quilômetros dali.
Barreto foi até a nascente junto com uma equipe de voluntários da comunidade para podar os arbustos que crescem próximos da cerca erguida ao redor da vereda. Ela serve para manter o gado afastado, evitando o pisoteamento da vegetação delicada e do solo macio.
Ele afirma que o corte da vegetação ao redor da cerca evita que focos de incêndio, comuns no bioma durante os meses mais secos, mas também provocados por gente interessada em desmatar, adentrem pela vereda e danifiquem as nascentes.
Em setembro passado, ao lado de um rio próximo ao seu sítio, o geraizeiro Eldo Moreira Barreto contemplava a corrente que serpenteava em um pequeno oásis coberto de capim alto e verde, circundado por uma frondosa mata ciliar.
A menos de cem metros dali, uma floresta de árvores espinhosas e sem folhas, provavelmente em hibernação, cobria a terra ondulante até onde a vista alcançasse.
"Olha, que beleza de palmeira!", dizia, apontando para um buriti. "Essas árvores só crescem em áreas úmidas, como esta. Quando eles estão bem, as nascentes estão saudáveis."
Mas a nascente já não é mais tão pujante e saudável quanto no passado. E isso o preocupa porque ela é a fonte da irrigação de seus terrenos e do vilarejo de Praia, a poucos quilômetros dali.
Barreto foi até a nascente junto com uma equipe de voluntários da comunidade para podar os arbustos que crescem próximos da cerca erguida ao redor da vereda. Ela serve para manter o gado afastado, evitando o pisoteamento da vegetação delicada e do solo macio.
Ele afirma que o corte da vegetação ao redor da cerca evita que focos de incêndio, comuns no bioma durante os meses mais secos, mas também provocados por gente interessada em desmatar, adentrem pela vereda e danifiquem as nascentes.

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