
25/11/2021
Enquanto os líderes mundiais se reuniam na cúpula da COP26, em Glasglow, na Escócia, para debater como enfrentar a mudança climática, afirmações enganosas e falsidades sobre o clima aumentaram nas mídias sociais.
A BBC analisou algumas das alegações que mais viralizaram no ano passado e o que elas podem nos dizer agora sobre a negação das mudanças climáticas.
AFIRMAÇÃO 1: O SOL VAI ESFRIAR, INTERROMPENDO O AQUECIMENTO GLOBAL
Há muito as pessoas afirmam, incorretamente, que as mudanças de temperatura do século passado são apenas parte do ciclo natural da Terra, e não o resultado do comportamento humano.
Nos últimos meses, vimos uma nova versão desse argumento.
Milhares de postagens nas redes sociais, atingindo centenas de milhares de pessoas no ano passado, afirmam que um "Grande Mínimo Solar" levará a uma queda natural nas temperaturas, sem intervenção humana.
Mas não é isso que as evidências mostram.
Um grande mínimo solar é um fenômeno real quando o Sol emite menos energia como parte de seu ciclo natural.
Estudos sugerem que o Sol pode muito bem passar por uma fase mais fraca em algum momento deste século, mas isso levaria, no máximo, a um resfriamento temporário de 0,1 - 0,2 °C do nosso planeta.
Isso não chega nem perto de compensar a atividade humana, que já aqueceu o planeta em cerca de 1,2 °C nos últimos 200 anos e continuará a aumentar, possivelmente chegando a 2,4 °C no final do século.
Sabemos que os recentes aumentos de temperatura não foram causados pelas mudanças no ciclo natural do Sol porque a camada da atmosfera mais próxima da Terra está se aquecendo, enquanto a camada mais próxima do Sol —a estratosfera— está esfriando.
O calor que normalmente seria liberado na estratosfera está sendo aprisionado pelos gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono liberado pela queima de combustível.
Se as mudanças de temperatura na Terra fossem causadas pelo Sol, esperaríamos que toda a atmosfera esquentasse (ou esfriasse) ao mesmo tempo.
AFIRMAÇÃO 2: O AQUECIMENTO GLOBAL É BOM
Vários posts que circulam nas redes sociais afirmam que o aquecimento global tornará partes da Terra mais habitáveis e que o frio mata mais pessoas do que o calor.
Esses argumentos frequentemente selecionam fatos favoráveis, ignorando qualquer um que os contradiga.
Por exemplo, é verdade que algumas partes inóspitas e frias do mundo podem se tornar mais fáceis de se viver por algum tempo.
Mas, nesses mesmos lugares, o aquecimento também pode levar a chuvas extremas, afetando as condições de vida e a capacidade de cultivo.
Ao mesmo tempo, outras partes do mundo se tornariam inabitáveis como resultado do aumento da temperatura e da elevação do nível do mar, como as paradisíacas Ilhas Maldivas.
Pode ser que venhamos a ter menos mortes relacionadas ao frio. Mas de acordo com um estudo publicado na revista científica Lancet, entre 2000 e 2019, mais pessoas morreram em consequência do frio do que do calor.
No entanto, um aumento nas mortes relacionadas ao calor deve contrabalancear todas as vidas salvas.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU diz, de maneira geral, "os riscos relacionados ao clima para a saúde [e] subsistência... devem aumentar com o aquecimento global de 1,5 grau".
Espera-se que quaisquer pequenos benefícios locais de menos dias frios sejam compensados pelos riscos de períodos mais frequentes de calor extremo.
Saiba quais são as outras duas afirmações na Folha de S. Paulo
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