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Estudo mostra campeões de desmatamento cada vez menos desenvolvidos na Amazônia

09/12/2021

Os municípios campeões em desmatamento na Amazônia são os menos desenvolvidos da região, revelou a terceira edição do Índice de Progresso Social, IPS Amazônia 2021, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), publicado na segunda-feira (6).
De acordo com o IPS Amazônia 2021, dos 772 municípios amazônicos, os vinte que mais desmataram a floresta desde 2018 são mais violentos, sofrem mais com falta de saneamento básico e têm os piores índices de saúde, educação, acesso à informação e equidade de gênero.
"Em geral, vimos que onde tem muito desmatamento na Amazônia tem muita pobreza e baixo progresso social", explica o autor principal do IPS 2021, Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon.
O IPS é um índice criado em 2013 por acadêmicos de grandes centros de pesquisa do mundo para analisar as condições sociais e ambientais de países, Estados e municípios.
Diferente do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o IPS considera que medidas de desenvolvimento baseadas apenas em indicadores econômicos são insuficientes para atestar o progresso de uma região.
"Crescimento econômico sem progresso social resulta em degradação ambiental, aumento na desigualdade, exclusão e conflitos sociais", explica trecho da publicação.
Além do desmatamento, o documento destaca que estes locais também estão fortemente associados com conflitos sociais no campo e garimpo ilegal.
"Os dados mostram que o desmatamento da Amazônia não compensa nem para a economia, já que afugenta investidores, não promove inclusão social e esgota os recursos naturais da população, causando mais pobreza", diz Veríssimo.
Metade das vinte cidades com os piores índices de desenvolvimento social estão no Pará, Estado historicamente líder em desmatamento.
Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de 1º de janeiro de 2018 a 20 de outubro de 2021 (período considerado no IPS), o Pará desmatou cerca de 16.714 km², uma área maior que 2.340 campos de futebol.Além disso, mesmo faltando dois meses para fechar 2021 (os dados foram atualizados até 21 de outubro), o desmatamento no Pará este ano (5.023 km2) já é o maior desde 2009 (5.367 km2).
Entre os nove Estados amazônicos, o Pará obteve a segunda pior nota do IPS Amazônia: em uma escala de zero a cem, o estado paraense somou apenas 52,94 pontos.
Roraima é o Estado com o menor índice de desenvolvimento social, com 52,37 pontos.
Se por um lado o desmatamento avançou nestas áreas nos últimos anos, não houve melhora no índice de progresso social nestes locais desde o último IPS, publicado em 2018.
"Áreas de desmatamento intenso tiveram uma estagnação no seu progresso social desde 2018. Em alguns municípios, o índice chegou a piorar. E em todos eles, os piores indicadores foram o de segurança e o de saneamento básico", explica Veríssimo.
A mensagem do IPS Amazônia 2021 é contrária à fala do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, durante a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP26, quando afirmou no discurso de líderes: "onde existe muita floresta, também existe muita pobreza".
"O IPS atesta que este modelo de desenvolvimento baseado em desmatamento e uso predatório dos recursos naturais (extração ilegal de madeira, garimpo de ouro) resulta em baixo progresso social", rebate Veríssimo.
A primeira edição do IPS, de 2003, já havia mostrado que regiões muito desmatadas tiveram um aumento inicial do IDH. Porém, à medida que os recursos naturais foram sendo esgotados, estes indicadores começaram a cair substancialmente.

Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo

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