
09/12/2021
Os 36 quilômetros de estrada de terra a partir de Trancoso se encerram nas margens do rio Caraíva, ponto final para carros. A partir dali, as canoas são o único transporte para atravessar o rio e chegar à vila de Caraíva, um dos destinos turísticos mais charmosos da Costa do Descobrimento, na Bahia.
Com cerca de 600 moradores, população que chega a dobrar nos períodos de alta estação, a vila, que fica no sul de Porto Seguro, enfrentou um período de total esvaziamento no início da pandemia seguido da chegada de hordas de turistas a partir de setembro de 2020.
Agora, trabalha para reforçar a sua essência de paraíso intocado, reforçando o ideal de um turismo mais sustentável no pós-pandemia.
"A nossa luta é para manter esse clima de tranquilidade. A essência de Caraíva é essa", afirma a empresária Hermínia Van Tol, proprietária da Pousada Lagoa e moradora da vila desde 1984.
O desejo é resultado do aprendizado da pandemia. Em março de 2020, a vila fechou-se para visitantes por cinco meses, período no qual pousadas e restaurantes ficaram fechados e pessoas de fora da comunidade não entravam.
A experiência fez os laços comunitários se reforçarem. Famílias ajudavam umas às outras e moradores em situação de vulnerabilidade tiveram apoio com cestas básicas e equipamentos de proteção contra a Covid-19.
Na sequência, contudo, a vila enfrentou momentos difíceis durante o Réveillon, quando a vila ficou apinhada de visitantes, parte deles descumprindo regras sanitárias de distanciamento e uso de máscaras.
O cenário de aglomeração gerou reações, incluindo uma carta aberta enviada à prefeitura de Porto Seguro pela Associação dos Nativos de Caraíva.
Com ruas de terra batida, a vila costuma ser refúgio dos turistas que não estão à procura de badalação. Veículos automotores são proibidos de circular, com exceção dos quadriciclos da polícia e da coleta de lixo. Internet e sinal de celular são instáveis na vila.
Para refletir o clima de tranquilidade da vila, pousadas oferecem serviços que vão de massagens a aulas de ioga. Em parte delas sequer há televisão nos quartos.
A principal praia fica na foz do rio Caraíva, onde águas escuras do rio misturam-se às águas verdes e mornas do mar e a faixa de areia se abre em formato de triângulo, onde ficam barracas que vendem bebidas e comidas típicas, além de uma quadra de beach tênis.
Durante o dia, além do banho de rio e mar nas proximidades da vila, o turista pode fazer passeios de lancha para outras praias da região, como a Praia do Satu, ou de bugue até a Ponta de Corumbau.
Outra opção de passeio é o Centro Cultural Porto do Boi, onde durante as manhãs e tardes é possível participar de uma vivência com indígenas pataxós e aprender mais sobre a cultura das tribos locais.
O entardecer é uma atração à parte, com o céu ganhando tonalidades entre o rosa e o roxo que se refletem nas águas do rio Caraíva. Bares e restaurantes costumam ficar lotados no fim de tarde. Mais tarde, também possível curtir um show de forró em uma pequena casa de shows no local.
Numa quinta-feira da última semana de novembro, praias, bares e restaurantes estavam cheios, mas não lotados.
Como a faixa de areia é extensa, era possível curtir a praia evitando aglomerações. O casal gaúcho Alexandre Abreu, 38 e Andréa Rios, 39, por exemplo, escolheu um ponto isolado da praia, onde era possível tirar as máscaras e curtir o sol e o mar.
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