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Brasileira de 29 anos se destaca com solução para acesso a água potável

15/03/2022

A mineira Bárbara Paiva, de 29 anos, nunca sonhou em ser cientista. Embora na infância gostasse de brincar com jogos de experimentos, a resposta a quem lhe perguntasse o que queria ser quando crescesse era em geral modelo ou atriz. “Alguma coisa mais glamourosa”, lembra. Filha de comerciantes, não tinha ninguém próximo como referência científica. O maior incentivo em casa era estudar: não importava o quê, o objetivo era se formar e buscar a independência.
E veio daí o caminho para que chegasse a uma graduação na área de exatas. “Minha matéria favorita era física, se eu perdia um ponto na média, chorava”, conta Paiva, hoje dando risada. No ensino médio, ela entendeu que queria se formar engenheira, um curso que considerava mais aplicado. “Fui para a engenharia ambiental, que unia a parte de exatas com um quê mais humano e social”, explica. “Acredito que o mundo tem que se desenvolver pela engenharia, mas de uma forma sustentável.”
A decisão não foi muito bem aceita por quem a conhecia. “Começa o preconceito, ouvi muito que engenharia é curso de homem, que eu não tenho cara de engenheira, que não combinava comigo”, lembra. “Ouvi até que eu era muito delicada para fazer engenharia.” Nada disso a fez desistir.
Da graduação, emendou em um mestrado para estudar a relação entre polímeros e radiação. Ela decidiu analisar a eficiência da radiação azul na ação bactericida e se perguntou: se a luz funcionar para a esterilização, onde posso aplicar? Pensou no problema de acesso à água — que no Brasil e no mundo falta a milhões de pessoas. “E se eu colocasse esse tratamento de uma forma compacta que desse para as pessoas usarem em qualquer lugar?”, imaginou.
Bárbara desenvolveu, então, uma garrafa com um sistema de esterilização por luz azul, a Aqualux. Os estudos microbiológicos preliminares mostraram que o sistema funciona. E não só: seria relativamente barato e poderia ser fabricado em larga escala. O projeto rendeu a ela uma vaga na final do Red Bull Basement Brasil 2021, prêmio que busca capacitar alunos inovadores para que coloquem suas ideias em prática. Selecionada entre 443 equipes brasileiras, saiu campeã e, em março, viaja para a Turquia, onde representará o Brasil na competição global.
Além do destaque no torneio, Paiva espera conseguir apoio de empresas para fabricar o produto e ter a certeza de que funciona. “Fico feliz de estar conseguindo quebrar barreiras e preconceitos, mas um pouco triste por ver que a gente ainda está longe do ideal”, lamenta, mas avisa: “[Meninas,] Vocês são capazes de tudo. Não deixem ninguém, nenhuma situação ou nenhum lugar em que estiverem convencê-las do contrário.”

Fonte: Revista Galileu

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