
28/06/2022
O turismo ambiental acelera seu mercado desde antes da pandemia, e com a recente queda da renda do brasileiro, a tendência é que o setor se expanda ainda mais, apontam especialistas. O tema foi discutido no seminário Perspectivas do Turismo no Estado de São Paulo, organizado pela Folha no último dia 23.
Segundo Raul Sulzbacher, presidente do conselho do São Paulo Convention & Visitors Bureau –entidade promotora do turismo na capital paulista–, a classe média buscará nos próximos cinco anos cidades que tenham parques conservados. "É uma atividade natural e barata", afirma.
No ano passado, por exemplo, as 145 unidades de conservação em todo o país administradas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) atingiram o maior número de visitantes em cinco anos –16,7 milhões.
Para Sulzbacher, São Paulo precisa reformar ciclovias e trilhas conectadas aos seus parques urbanos e naturais. "Só espero que esses locais não virem quiosques de churrasco aos finais de semana", pondera. O governo paulista aponta que 20% da área de São Paulo é protegida por leis ambientais –a média brasileira, de acordo com o Banco Mundial, é de 30%.
O Palácio dos Bandeirantes lançou no último dia 15 a campanha Parques de São Paulo. A iniciativa busca promover o estado como destino de lazer natural, integrando mais de 50 parques. Os espaços incluem trilhas, montanhismo, praias e cavernas. Cerca de 17 milhões de pessoas visitam os locais por ano. O governo estima que o número aumentará com o projeto, mas não detalha a previsão.
O Guia de Áreas Protegidas filtra todas as regiões naturais administradas pelo estado, com base em atrativos disponíveis.
No seminário, o secretário estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, Fernando Chucre, defendeu parcerias entre os setores público e privado na administração de parques. "Conceder esses locais significa viabilizar ao estado a chance de usar os recursos economizados como investimentos em parques onde não é possível fazer essas parcerias", explica.
O estado tem hoje 151 áreas protegidas, sendo que 34 são parques abertos ao público. A região metropolitana de São Paulo tem 16 parques urbanos estaduais. Ao todo, três áreas protegidas e seis parques estão sob administração privada.
As concessões eram promessa do ex-governador João Doria (PSDB). O movimento foi criticado por setores da sociedade, que viram fragilidades nos contratos.
Para Rogério Dezembro, sócio do Consórcio Reserva Paulista e CEO do Live Park, concessionária de parques de São Paulo, a população ganha quando se coordena os papéis dos dois setores. "Não adianta um espaço gerido pelo estado oferecer serviço precário e não cumprir sua vocação pública", afirma.
O zoológico de São Paulo –o maior em biodiversidade da América Latina, de acordo com o governo– é um dos parques administrados pelo Reserva Paulista. O espaço foi leiloado em fevereiro do ano passado e o consórcio terá, segundo o contrato, de modernizar equipamentos, prédios e áreas de exposição de flora e fauna.
Segundo Dezembro, a estrutura do local será integrada ao Zoo Safari e ao Jardim Botânico, também sob concessão da empresa. Os três lugares foram leiloados por R$ 111 milhões e serão geridos pela iniciativa privada por pelo menos 30 anos.
"O Safari e o zoológico hoje são parcialmente interligados, mas com acessos distintos. Isso será alterado", explica. O gestor também destaca a ideia de criar um passaporte de ingressos utilizados por visitantes que queiram ir aos três parques em dias diferentes, pagando menos.
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