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Familiar boliviana da vitória-régia é a maior espécie de nenúfar gigante já descoberta

05/07/2022

Com aspecto exuberante e ornamental, os nenúfares são uma planta aquática da família das ninfáceas, que incluem desde as delicadas ninféias eternizadas nas pinturas impressionistas do francês Claude Monet até as gigantes amazônicas, como a vitória-régia.
Mas eis que uma nova "rainha" brotou no universo das plantas para a felicidade da comunidade botânica. Nesta semana, os cientistas descreveram a mais nova espécie gigante de nenúfare, uma familiar originária da Bolívia que cresceu no famoso jardim botânico de Kew Garden, no Reino Unido.
Esta é a a primeira espécie gigante descoberta desde meados do século XIX, e confirma uma suspeita antiga dos botânicos de que poderia haver uma terceira espécie de nenúfar gigante além das duas até então conhecidas, a Victoria amazonica e a cruziana.
A fim de averiguar a tese, em 2016, as instituições bolivianas Santa Cruz de la Sierra Botanic Garden e La Rinconada Gardens doaram uma coleção de sementes de nenúfares gigantes da espécie para serem germinadas e cultivadas ao lado das outras duas. Além disso, os cientistas também descobriram diferenças no DNA das três plantas.
Batizada de Victoria boliviana, em homenagem aos especialistas bolivianos parceiros do estudo e ao ecossistema natural da planta, a nova espécie tem folhas que crescem até três metros em estado selvagem. O recorde atual para a maior planta da espécie é detido pelos Jardins La Rinconada, na Bolívia, onde as folhas chegaram a 3,2 metros.
Em seu ambiente natural, a planta cresce em um dos maiores pântanos do mundo, os Llanos de Moxos, na província de Beni, que também abriga o golfinho do rio boliviano e o golfinho-de-garganta-azul, criticamente ameaçado. Produz muitas flores por ano, mas elas só abrem uma de cada vez, e por apenas duas noites, mudando de branco para rosa, e são cobertas de espinhos afiados.
“Ter esses novos dados sobre a Victoria e identificar uma nova espécie no gênero é uma conquista incrível na botânica", disse Alex Monro, líder de pesquisa do jardim botânico e autor sênior de um novo artigo sobre a descoberta. Segundo ele, identificar adequadamente e documentar a diversidade de plantas é crucial para protegê-las e fazer uso sustentável dos recursos. A descoberta é considerada uma "maravilha botânica do mundo".
Fundado em 1759 em Londres, no distrito de Richmond, os Royal Botanic Gardens of Kew — conhecidos como Kew Gardens — somam mais de 16.000 espécies de plantas, a coleção de flora viva mais diversa do mundo em um jardim botânico, segundo o Guinness Book, o livro dos recordes.
O local, que no passado já serviu de residência da família real britânica, é considerado Patrimônio Mundial da Unesco. Além dos exemplares de nenúfares gigantes, nele também se encontra a famosa flor-cadáver (Amorphophallus titanum), a maior e mais malcheirosa flor do mundo.

Fonte: Um Só Planeta

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