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O que é petróleo sintético, arma contra aquecimento global

12/07/2022

Em novembro de 2021, um piloto da Força Aérea Real britânica decolou em pequeno avião no sul da Inglaterra para fazer história.
Seu curto trajeto estabeleceu um novo recorde para o livro Guinness: o de primeiro voo já realizado apenas com combustível sintético.
O combustível era da empresa britânica Zero Petroleum, uma das várias companhias que estão apostando no desenvolvimento dos combustíveis sintéticos, também chamados de eCombustíveis.
Essas empresas estão desenvolvendo iniciativas em diversos lugares do mundo — desde Bilbao, na Espanha, até o deserto de Nevada, nos Estados Unidos, e o sul do Chile.
O interesse pelos combustíveis sintéticos aumenta em momentos como este, em que a busca por alternativas para os combustíveis tradicionais é mais urgente do que nunca.
Para que o aquecimento do planeta não supere 1,5°C sobre as temperaturas da era pré-industrial, é preciso que as emissões de dióxido de carbono (CO2) liberadas pela queima de combustíveis fósseis sejam reduzidas em 45% até o ano 2030, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC, na sigla em inglês).
O secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, advertiu este ano em diversas mensagens que "estamos caminhando rapidamente para um desastre climático".
Mas Guterres também destacou que a transição para energias renováveis "oferecerá esperança para milhões de pessoas" prejudicadas pelas mudanças climáticas.
Os combustíveis sintéticos podem ser parte da solução? A BBC News Mundo — o serviço em espanhol da BBC — pesquisou o que são os combustíveis sintéticos, até que ponto eles são realmente verdes e se representam uma resposta viável para o aquecimento global.
Quimicamente, os combustíveis sintéticos e os de origem fóssil são iguais. Ambos são hidrocarbonetos.
"Os hidrocarbonetos são moléculas formadas por hidrogênio e carbono", segundo Carlos Calvo Ambel, especialista em transporte e energia da ONG Transport and Environment, com sede em Bruxelas, na Bélgica.
"Normalmente, o que se faz é extrair o petróleo da terra, refiná-lo e gerar produtos diferentes, como a gasolina, o diesel e o querosene", segundo Calvo Ambel. Mas, no caso do combustível sintético, o hidrogênio e o carbono necessários provêm de outras fontes.
O hidrogênio, por exemplo, é obtido separando-se os componentes da molécula de água — hidrogênio e oxigênio — em um processo que utiliza eletricidade, chamado eletrólise. "Você separa essa molécula de água em hidrogênio e oxigênio e fica com o hidrogênio", explica Calvo Ambel.
Já o carbono necessário pode ser obtido de diversas fontes. "Você pode recolher da chaminé de uma fábrica que está descartando CO2 ou capturá-lo diretamente do ar", acrescenta ele. "E você também divide esse CO2 em carbono e oxigênio e fica com o carbono."

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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