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A ameaça invisível à vida das baleias nos oceanos

02/08/2022

Pesquisadores estão descobrindo o tamanho do impacto dos ruídos humanos na vida oceânica —mas existem formas surpreendentemente simples de lidar com essa espécie menosprezada de poluição.
Logo após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, um enorme silêncio caiu sobre a América do Norte, dentro e fora d´água.
Muitas pessoas deixaram de viajar de avião, o que era compreensível. Mas o tráfego de navios também caiu significativamente, mesmo em regiões mais ao norte, como na baía de Fundy, no Canadá —o que fez com que o ruído subaquático da baía caísse em incríveis seis decibéis, com redução significativa dos sons abaixo de 150 Hz.
A região é frequentada pelas baleias-francas-do-atlântico-norte, o que levou cientistas da Universidade Duke, nos Estados Unidos, a estudar se as águas mais calmas tiveram algum impacto sobre esses mamíferos gigantes. E, depois de analisar seu material fecal em busca de hormônios do estresse, eles concluíram que a redução do ruído oceânico de origem humana estava causando níveis de estresse mais baixos.
Animais marinhos como as baleias usam o som para fazer de tudo, desde comunicar-se e viajar até procurar alimento e encontrar ambientes seguros.
"O som viaja mais rápido e mais longe na água que no ar e os animais marinhos se aproveitam disso", afirma Lucille Chapuis, ecologista sensorial da Universidade de Exeter, no Reino Unido.
Mas isso também significa que o zumbido quase constante da poluição sonora subaquática, como o causado pelo tráfego dos navios, pode prejudicar muito o seu modo de vida. "Nos últimos 50 anos, o aumento da navegação fez crescer em 30 vezes o ruído de baixa frequência existente ao longo das principais rotas marítimas", afirma Chapuis.
Imagine seu vizinho no andar de cima reformando seu apartamento e você em uma importante apresentação profissional em uma chamada de vídeo. Você terá muita dificuldade para ouvir e comunicar-se com seus colegas para fazer um trabalho adequado.
É isso que os animais marinhos que vivem ou migram perto dos ruídos humanos precisam suportar na maior parte do tempo.
Há décadas, cientistas de todo o mundo vêm estudando o impacto que esses ruídos podem causar sobre os animais marinhos. Agora, eles estão começando a identificar medidas que, se forem amplamente adotadas, poderão salvar muitas espécies dos impactos dessa poluição menosprezada.
O ruído oceânico causado pelos seres humanos vem de uma enorme variedade de fontes, que vão desde os sonares militares e o pouso de aeronaves até a construção de fazendas eólicas em alto-mar e pesquisas sísmicas para exploração de petróleo e gás. Mas a fonte de ruídos mais comum são os navios, especificamente suas hélices.
Quando as hélices dos navios —especialmente dos mais antigos— giram em alta velocidade, elas podem criar queda de pressão no lado oposto, atrás da hélice, o que resulta em uma grande quantidade de bolhas e ruídos de baixa frequência. Este efeito é conhecido como cavitação.
A cavitação também reduz a eficiência dos navios, já que a hélice consome muita energia e parte dela não ajuda a impulsionar o navio para frente.
O som de baixa frequência tem longo alcance e pode prejudicar as comunicações entre os animais marinhos em uma área muito grande. Os golfinhos-nariz-de-garrafa, por exemplo, usam todo tipo de sons para comunicar-se entre si.
Alguns desses sons podem ser detectados por outros golfinhos a mais de 20 km de distância e são frequentemente prejudicados pelos ruídos de origem humana.

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