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Sistema Cantareira: plantar árvores e cuidar do solo pode garantir água

09/08/2022

Com a falta de chuvas, São Paulo enfrenta uma nova ameaça de crise hídrica, com novas quedas no nível do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água para mais de 7 milhões de pessoas. Para reverter este quadro alarmante, as melhores estratégias são plantar árvores e melhorar a qualidade do solo.
Este é o resultado de um estudo inédito feito no Sistema Cantareira. A pesquisa foi publicada na revista Earth/MDPI, (Multidisciplinary Digital Publishing Institute, editora de periódicos científicos de acesso aberto) e teve como foco a bacia Atibainha, uma das cinco que formam o Sistema Cantareira, nos municípios de Nazaré Paulista e Piracaia, ambos no estado de São Paulo.
A primeira autora do artigo “Até que ponto as soluções baseadas na natureza podem aumentar a resiliência do abastecimento de água frente às mudanças climáticas em uma das mais importantes bacias hidrográficas brasileiras?” é Letícia Duarte, pesquisadora do Projeto Semeando Água. Segundo ela, as análises feitas a partir do uso de duas metodologias (PUC/SWAT) demonstraram efeito de sinergia entre as duas estratégias já trabalhadas pelo projeto Semeando Água.
“Melhorar as práticas de manejo em áreas prioritárias para recarga hídrica ajuda a reduzir oscilações na disponibilidade hídrica ao longo do tempo. Já a restauração das APPs melhora a qualidade da água e contribui também com o sequestro de carbono da atmosfera, estratégia para mitigar os efeitos das mudanças climáticas”.
Neste estudo, a pesquisadora explica que eles simularam projeções para a bacia do Atibainha a partir de quatro diferentes cenários de uso da terra sob três condições climáticas: clima observado (2009 a 2019) e duas das projeções climáticas futuras (2020 a 2095) do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), a intermediária e a pessimista.
A avaliação dos diferentes cenários na bacia do rio Atibainha contribui ainda para o entendimento dos desafios a serem enfrentados por gestores públicos, produtores rurais e população na busca por segurança hídrica em diferentes cenários de crise climática.
“O estudo é um alerta, já que mesmo na sub-bacia do Atibainha que apresenta melhores condições do que as outras, o resultado é preocupante”, afirmam os pesquisadores.
Considerando a projeção de RCP 4.5 (Representative Concentration Pathway) do IPCC de média de emissões de gases de efeito estufa, (caracterizada como intermediária, pela estabilização das emissões), restaurando as APPs e melhorando o manejo juntos, a recarga de aquíferos aumenta 8% em relação ao uso do solo atual, o escoamento superficial – água que não infiltra no solo – reduz em 40% e a produção de sedimentos que prejudica os reservatórios por conta do assoreamento terá redução de 6%.
Para o cenário RCP 8.5 – o mais crítico (com aumento das emissões de gases de efeito estufa) – aplicar as duas soluções em conjunto reduz o escoamento superficial em 36% e a produção de sedimentos em 17%. Para as demais bacias, os efeitos das mudanças climáticas podem ser ainda mais drásticos porque elas estão mais degradadas, têm menos cobertura de mata nativa.
No cenário atual, um dos destaques é que por conta da diminuição do escoamento superficial em 34%, há aumento na infiltração da água no solo, o que já contribui com o aumento da resiliência do sistema, uma vez que a água será liberada aos poucos. Nos meses mais secos, por exemplo, agosto e setembro, haverá mais 12% de água.
Com a iminência de uma nova crise hídrica em São Paulo, o estudo afirma a necessidade de ação coletiva para reduzir o impacto e evitar futuras crises. “O estudo salienta também que essas medidas devem ser combinadas com um esforço coletivo e intenso de redução das emissões de gases de efeito estufa, caso contrário, São Paulo poderá viver novamente eventos de crise”, destaca Letícia.

A matéria completa pode ser lida no Ciclo Vivo

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