UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Agência de desenvolvimento sustentável da ONU recebe recursos de petroleiras na Amazônia

16/08/2022

Na borda da Amazônia colombiana, em uma aldeia indígena cercada por plataformas de petróleo, o povo siona enfrentou um dilema.
O Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) acabara de anunciar um pacote de ajuda regional de US$ 1,9 milhão (R$ 9,79 milhões). Em uma aldeia sem água encanada, eletricidade intermitente e pobreza constante, qualquer dinheiro significaria comida e oportunidades.
Mas o programa de ajuda fazia parte de uma parceria entre a agência da ONU e a companhia de petróleo GeoPark. A empresa multinacional mantém contratos para perfurar perto da reserva siona, incluindo um com o governo que expandiria as operações no local que os siona consideram sua terra ancestral. Para o povo siona da reserva Buenavista, a perfuração de petróleo é um ataque parecido com drenar o sangue da terra.
Essa colaboração é um exemplo de como uma das maiores organizações de desenvolvimento sustentável do mundo faz parceria com poluidores, mesmo os que às vezes trabalham contra os interesses das comunidades que a agência deveria ajudar.
Do México ao Cazaquistão, essas parcerias fazem parte de uma estratégia que trata as empresas petrolíferas não como vilãs ambientais, mas como grandes empregadoras que podem levar eletricidade a áreas distantes e crescimento econômico a países pobres e de renda média. A agência de desenvolvimento usa dinheiro do petróleo para fornecer água potável e treinamento profissional em áreas que de outra forma poderiam ficar desprovidas.
Mas documentos internos e dezenas de entrevistas com autoridades atuais e antigas mostram que, quando a ONU fez parceria com empresas de petróleo, a agência também reprimiu a oposição local à perfuração, fez análises de negócios para o setor e trabalhou para que as companhias continuassem operando mais facilmente em áreas sensíveis.
O escritório do Pnud na Colômbia, em particular, é uma porta giratória de funcionários de companhias de petróleo e órgãos de energia que entram e saem. A agência de desenvolvimento da ONU também trabalhou com o governo e a indústria petrolífera para compilar dossiês sobre adversários da perfuração.
Não há evidências de que esses dossiês tenham sido usados para atingir alguém, mas, num país onde ativistas ambientais são mortos em número maior que em qualquer outro lugar do mundo, ativistas e membros da comunidade disseram sentir que suas vidas correram risco.
Mesmo enquanto a ONU dá o alarme sobre as mudanças climáticas e pede uma redução drástica no consumo de combustíveis fósseis, seu braço de desenvolvimento às vezes serve como promotor da indústria de petróleo e gás.
"O setor de petróleo e gás é uma das indústrias em todo o mundo capazes de gerar os maiores impactos positivos nas condições de desenvolvimento das pessoas", escreveu o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em 2018.
A agência disse que apoia uma transição de energia limpa e não incentiva a prospecção. Mas Achim Steiner, chefe do Pnud, disse que sua missão é tirar as pessoas da pobreza e que isso muitas vezes significa trabalhar em países que são construídos com carvão, petróleo e gás. "Temos que começar onde as economias estão hoje", disse Steiner. "Não vejo uma contradição, mas há uma tensão."
Somando-se a essa tensão, segundo os funcionários, há uma pressão implacável de arrecadação de fundos. A agência recebe uma porcentagem das doações, cerca de 3% a 10%. As autoridades, apoiadas por auditorias da própria agência, dizem que isso pressiona os gerentes de desenvolvimento a encontrar parceiros nos países a que foram designados, mesmo quando os doadores trabalham contra os interesses da agência.

Leia mais na Folha de S. Paulo

Novidades

MPF pede R$ 10 milhões de indenização ambiental por danos causados durante a queda do helicóptero na Vista Chinesa

20/10/2026

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra a empresa Voos Rio Panor...

Ex-ministros fazem manifesto em defesa das unidades de conservação ambiental do Brasil

20/10/2026

Um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente e ex-presidentes do Instituto Chico Mendes de Conservação ...

Passeio Público ganha movimento com samba e feira aos domingos, mas enfrenta problemas de conservação e segurança

20/10/2026

Tem samba, tem feira e tem carioca redescobrindo o Passeio Público. Mas o parque ainda não parece pr...

Correios passam a coletar eletroeletrônicos gratuitamente

20/10/2026

Quem tem itens como celulares velhos, cabos e fones de ouvido quebrados esquecidos na gaveta chegou ...

De local de tiro a santuário, arquipélago de Alcatrazes (SP) renasce dez anos após decreto

20/10/2026

Em vez do barulho dos tiros, há o tamborilar de fragatas macho, com seus papos vermelhos inchados co...