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Peixes de rios em Roraima têm alta contaminação de mercúrio usado em garimpos ilegais na Terra Yanomami, aponta estudo

23/08/2022

Um estudo divulgado na segunda-feira (22) indica que peixes de três rios estão altamente contaminados por mercúrio em Roraima. A pesquisa, feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Evandro Chagas e a Universidade Federal de Roraima (UFRR), revelou que há espécies de peixes com teor do minério acima do recomendada para consumo humano.
A análise coletou amostras de 75 peixes, de 20 espécies diferentes e quatro níveis tróficos (herbívoro, onívoro, detritívoro e carnívoro), e levou teve como base a avaliação de risco à saúde, conforme metodologia proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os pescados foram analisados entre 27 de fevereiro e 6 de março de 2021, e revelou índices altos de contaminação em trecho do Rio Branco na cidade de Boa Vista (25,5%), Baixo rio Branco (45%), rio Mucajaí (53%) e rio Uraricoera (57%). O Rio Branco é o principal do estado.
Usado por garimpeiros para separar o ouro de outros sedimentos e, assim, deixá-lo "limpo", o mercúrio é um metal altamente tóxico ao ser humano. Após ser usado pelos exploradores, o mercúrio é jogado nos rios, causando poluição ambiental. Além disso, entra na cadeia alimentar dos animais e afeta diretamente a saúde da população, principalmente os povos tradicionais.
Segundo o estudo, 45% do mercúrio usado em garimpos ilegais para extração de ouro é despejado em rios e igarapés da Amazônia, sem qualquer tratamento ou cuidado.
“As altas taxas de contaminação observadas, provavelmente, são decorrentes dos inúmeros garimpos ilegais de ouro instalados nas calhas dos rios Mucajaí e Uraricoera”, pontuam os pesquisadores.
Segundo o estudo, para algumas espécies de peixes carnívoros, como o filhote, a contaminação já é tão alta que praticamente não existe mais nível seguro para o seu consumo, independente da quantidade ingerida.
O consumo continua sendo possível para espécies como o matrinxã, aracu, jaraqui, pacu, jandiá e outras. Entretanto, para crianças e mulheres em idade fértil, estas espécies devem ser consumidas com moderação, para evitar riscos à saúde.
Segundo o estudo, para algumas espécies de peixes carnívoros, como o filhote, a contaminação já é tão alta que praticamente não existe mais nível seguro para o seu consumo, independente da quantidade ingerida.
O consumo continua sendo possível para espécies como o matrinxã, aracu, jaraqui, pacu, jandiá e outras. Entretanto, para crianças e mulheres em idade fértil, estas espécies devem ser consumidas com moderação, para evitar riscos à saúde.
No Uraricoera, umas das principais vias fluviais de acesso à garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami , a cada dez peixes coletados, seis apresentaram níveis de mercúrio acima dos limites estipulados pela OMS.
Já no Rio Branco, na região da capital Boa Vista, a cada dez peixes coletados, aproximadamente dois não eram seguros para consumo, de acordo com a pesquisa.
"Os níveis mais baixos de contaminação possivelmente refletem a maior distância dos pontos de garimpagem ilegal de ouro, na TI Yanomami. Mesmo distantes dos pontos de garimpo, ¼ dos pescados obtidos em Boa Vista encontram-se com concentrações de mercúrio acima de limites seguros para o consumo humano", ressaltaram os especialistas.
De acordo com os pesquisadores, a contaminação do peixes de Roraima por mercúrio representa um sinal de alerta.
O mercúrio liberado de forma indiscriminada no meio ambiente pode permanecer por até 100 anos em diferentes compartimentos ambientais e pode provocar diversas doenças em pessoas e em animais.
Nas crianças, os problemas podem começar na gravidez. Se os níveis de contaminação forem muito elevados, podem haver abortamentos ou o diagnóstico de paralisia cerebral, deformidades e malformação congênita.
Além disso, as crianças mais novas podem desenvolver limitações na fala e na mobilidade. Na maioria das vezes, as lesões são irreversíveis, provocando impactos na vida adulta, conforme a pesquisa.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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