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Nível de emissões de gases de efeito estufa no Brasil em 2021 tem a maior alta desde 2003, aponta relatório

03/11/2022

O Brasil emitiu 2,42 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico (CO2) equivalente, um aumento de 12,2% em relação a 2020. Isso representa a maior alta em quase duas décadas. É o que aponta a mais recente edição do "Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima", o SEEG, divulgado na terça-feira (1º).
Segundo o relatório, a maior alta só foi verificada em 2003, ano em que o país atingiu o recorde histórico de emissões.
"Naquele ano, a alta foi de 20%, puxada pela explosão do desmatamento na Amazônia".
"Está muito claro que nós temos um governo que se revelou uma verdadeira bomba climática, máquina de gerar aquecimento global e jogar carbono para a atmosfera no planeta. Temos um governo que negou a agenda de clima e fez tudo o que podia para destruir a governança ambiental do país, especialmente na Amazônia", disse Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, durante a apresentação dos dados.

Veja alguns pontos do relatório:

● O crescimento em 2021 ocorreu em quase todos os setores da economia e foi puxado por desmatamento, energia e agropecuária.
● O setor de energia emitiu 435 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2021 contra 387 milhões em 2020. A maior alta em 50 anos.
● A agropecuária teve as maiores emissões da série histórica: 601 milhões de toneladas, contra 579 milhões em 2020.
● O setor de resíduos foi o único que não teve aumento - 91,1 milhões de toneladas contra 91,2 milhões em 2020.
● O setor de mudança de uso da terra, representado em sua maior parte pelo desmatamento da Amazônia e no Cerrado, foi o grande vilão das emissões. "O aumento das emissões brutas do setor, de 18,5%, só é superado na série histórica pelo ano de 2003", diz o documento.

Para Tasso Azevedo, coordenador do SEEG, o balanço de dez anos do Sistema, mostra que o Brasil teve uma década perdida para controlar sua poluição climática.
“Desde a regulamentação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, em 2010, nós estamos patinando. Não apenas não conseguimos reduzir nossas emissões de maneira consistente, como as aumentamos nos últimos anos, e de forma expressiva”, destaca.
“O Brasil tem as ferramentas de política pública, a tecnologia e os recursos para mudar sua trajetória, mas é preciso que o governo e a sociedade entendam que isso é fundamental para dar segurança à população em tempos de eventos extremos acelerados e também para alavancar a economia", finaliza o coordenador do SEEG.
O coordenador do SEEG explica que o gráfico acima aponta três padrões. "Entre 1900 e 2003 tivemos um período de aumento das emissões. A partir de 2004 até 2010 temos uma forte redução das emissões no Brasil, puxada pela redução do desmatamento. Desde então, a gente vem num processo de sobe e desce, com tendência de subida até chegar a 2021".

Termine de ler esta matéria acessando o g1

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