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Biotecido vegano é feito a partir de bactérias

08/11/2022

A startup Biotecam, especialista em biotecnologia e ambiente, acaba de lançar um tecido sustentável e vegano, feito a partir do cultivo de bactérias, chamado de Texticel. O desenvolvimento do produto é apoiado pela EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e o polo de inovação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFFluminense/ Campus Guarus), em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro.
Ricardo Remer, CEO da Biotecam, explica que tudo começou com uma demanda de representantes do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, que estavam interessados em desenvolver um projeto sobre tecnologia na moda. A startup já detinha técnicas de produção de biotecidos, originados do cultivo de bactérias que utilizam açúcar e outros resíduos para produzir e tramar nanofibras de celulose. Com o apoio técnico e financeiro da EMBRAPII, decidiram então desenvolver o projeto.
Entre as principais vantagens do biotecido vegano está a economia do uso de água no processo de produção, quando comparado a outros materiais. “Para cada m² de couro produzido, hoje são consumidos 50 mil litros de água, ao passo que o Texticel consome 50 litros de água para cada m². Quando comparado ao processo do couro, o consumo de água é infinitamente menor”, relata o CEO. Além disso, o tecido é biológico, vegano e dispensa o uso de produtos químicos complexos e perigosos em seu processo de fabricação.
O projeto começou a ser desenvolvido em 2021, num processo com duração de seis meses. Remer explica que o apoio da EMBRAPII e do IFFluminense foi destinado para a automação de todas as etapas do processo de produção, com a montagem de contêineres utilizados para preparação, cultivo e secagem do biotecido, além do desenvolvimento de uma prensa especial para acelerar esse último processo. Ele diz que isso auxiliou o projeto a ter lotes de produção em maior escala, para atender às parcerias com produtores de bolsas.
“Particularmente nesse projeto, o apoio da EMBRAPII foi para viabilizar a automação de certas etapas. Recebemos um suporte técnico muito bom e isso também foi viabilizador de um passo importante de produção em escala e de estabelecimento de padrão de qualidade”, enfatiza.
O CEO da startup afirma que algumas empresas interessadas em programas ESG, que são políticas de meio ambiente, responsabilidade social e governança, têm considerado o uso do tecido vegano como um caminho de redução de sua pegada de carbono em indicadores ambientais, especialmente na forma de economia de água.
Atualmente, o produto está em fase pré-comercial e ainda não tem venda corriqueira, mas há parceria com algumas empresas fabricantes de bolsas, para o início da produção adotando o material. Remer também afirma que já há interesse de uma empresa francesa que deseja utilizar o biotecido na produção de calçados.

Fonte: Ciclo Vivo

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