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Embalagem de sabonete é feita com resíduos e alcachofra e ervilha

24/11/2022

Alara Ertenü é uma estudante de design industrial que decidiu aproveitar resíduos orgânicos para fabricar uma nova embalagem para sabonetes, menos poluente do que as versões convencionais. A solução apresentada foi o Packioli, um material que reaproveita folhas de alcachofra e vagens de ervilha, ajudando a criar uma embalagem mais sustentável e também reduzir o desperdício de alimentos.
Com uma cor que fica entre o marrom e o dourado, a nova embalagem recebeu destaque na Semana de Design Holandesa. Biodegradável e resistente à água por até 15 dias, o material surgiu de um questionamento da jovem design: “Como esses resíduos de alimentos locais podem ser devolvidos à economia?”.
Alara estuda na Universidade de Economia de Izmir, na Turquia, e conta que compra alcachofras e vagens de ervilha para Packioli em um mercado local. Em visitas ao mercado, ela notou que cerca de 80% de cada alcachofra é desperdiçada.
“O objetivo por trás das embalagens de desperdício zero é eliminar as embalagens plásticas e também atender às necessidades de higiene, logística e resistência das marcas de sabonete”, disse Ertenü.
Para fazer o Packioli, as folhas e os caules da alcachofra são secos no congelador a 70 graus Celsius negativos ao lado das vagens antes de serem pulverizados em um pó fino.
O pó é então misturado com água, glicerina vegetal e ácido algínico – um ácido natural derivado de algas marrons – para formar uma substância semelhante a uma goma.
Essa goma é colocada em um molde e fica secando por até dois dias em temperatura ambiente. Depois de endurecer, a embalagem já pode ser usada e é selada nas bordas com calor, dispensando também o uso de cola.
O nome Packioli vem justamente da junção das palavras Pack (embalagem em inglês) e ravióli, em referência à maneira que os pequenos quadrados de massa recheada são selados.
O tom dourado também vem de produtos naturais: a embalagem é tingida com beterraba e açafrão.
De aparência translúcida e salpicada, Packioli pode ser usado para embalar sabonetes de diferentes formas e tamanhos e é projetado para biodegradar completamente em até 15 dias.
Ertenü explica que é possível guardar o Packioli em local seco para conservá-lo por mais tempo, mas também dá para deixar a embalagem em uma saboneteira para que ela vá derretendo durante o uso, em contato com a água.
“Packioli é resistente à umidade e à água por até uma semana, o que garante que permaneça intacto por 10 a 15 dias se não houver contato com a pele humana sob pressão de água”, disse ela.
Estudos mostram que, a cada ano, a indústria de cosméticos produz mais de 120 bilhões de embalagens. A estudante afirma que “a maioria das quais não é reciclável e acaba em aterros ou, pior ainda, no oceano” e encontrou uma solução para ajudar a resolver este problema.

Fonte: Ciclo Vivo

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