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Texto final da COP27 abre oportunidade para Brasil exportar tecnologias a etanol

24/11/2022

O documento aprovado no domingo dia 20 na COP27 coloca o etanol novamente em evidência.
Além de confirmar a criação de um fundo para auxiliar nações vulneráveis a eventos climáticos extremos, o texto final da 27ª edição da conferência do clima da ONU (Organização das Nações Unidas) demonstra maior tolerância com a transição energética.
A crise gerada pela guerra na Ucrânia deu sobrevida aos combustíveis de origem fóssil, mas não eliminou as metas de descarbonização estabelecidas no Acordo de Paris. É aí que entram as fontes renováveis.
A declaração divulgada no fim de semana "salienta a importância de reforçar um mix de energias limpas, incluindo energias de baixas emissões e energias renováveis, em todos os níveis, no âmbito da diversificação dos mixes e sistemas energéticos, em linha com circunstâncias nacionais e reconhecendo a necessidade de apoio para transições justas".
Ao trazer o texto para o universo automotivo, vê-se que os planos de transformar a tecnologia do etanol em um produto tipo exportação começa a fazer sentido. Tanto montadoras como fornecedores globais que desenvolveram sistemas flex fuel no Brasil estão de olho no mercado externo.
A Volkswagen inaugurou na segunda (21) a unidade de pesquisa e desenvolvimento Way to Zero Center. O nome em inglês já demonstra o interesse em atuar mundo afora. Grosso modo, é levar a semente da nossa jabuticaba, o carro a álcool, para outros países.
Os alvos são claros, como mostra o texto divulgado pela montadora. "A equipe do Way To Zero Center terá como foco verificar onde tecnologias locais que contribuem para redução de CO2 podem ser utilizadas, suportando sua implementação em mercados como, por exemplo, Índia, América Latina, Ásia e África."
Ou seja, mercados em que a eletrificação é uma meta distante, tanto pelos custos envolvidos como pela estrutura precária de recarga. Além disso, é necessário oferecer produtos mais em conta a populações de nações emergentes, em que o envelhecimento da frota agrava o problema das emissões de poluentes e gás carbônico.
A iniciativa da Volkswagen envolve 10 universidades e empresas como Bosch e Raízen, controladora da Shell. A montadora já tem conversas avançadas com a Índia, mercado que deve receber os primeiros automóveis movidos a etanol em 2023 –sejam flex ou 100% abastecidos com o combustível de origem renovável.
O grupo Stellantis também desenvolve soluções baseadas no derivado da cana-de-açúcar. Um dos projetos concilia eletricidade e biocombustível, solução adotada pela Toyota com a linha Corolla Hybrid Flex. Já a Nissan trabalha em um projeto ainda mais avançado, que é a pilha de hidrogênio alimentada por etanol.
O interesse pelo combustível renovável também tende a crescer nos Estados Unidos, onde a RFA (sigla em inglês para Associação dos Combustíveis Renováveis) tem insistido no papel do etanol derivado do milho na descarbonização.
"O etanol de baixo custo e menor emissão já está limpando o combustível de motores em todo o mundo e, ao olharmos para o futuro, pode desempenhar um papel de liderança no combustível de aviação sustentável ou até mesmo na geração de eletricidade", disse Geoff Cooper, CEO da RFA, em comunicado divulgado durante a COP27.

Fonte: Folha de S. Paulo

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