
29/11/2022
A consolidação de um campo que questiona as mudanças climáticas no Twitter ocorreu a partir da COP26, a conferência da ONU para o clima realizada em 2021 em Glasgow. Nas edições anteriores, o cenário de polarização acerca das questões climáticas era inexistente na rede social. A descoberta acende um alerta do que o cenário significa para o debate em torno das emergências climáticas.
A conclusão consta de um estudo publicado na última quinta (24) na revista Nature Climate Change. Na investigação, os pesquisadores tinham o objetivo de entender a discussão sobre mudanças climáticas no Twitter durante seis conferências do clima: da COP21, em que foi firmada o Acordo de Paris, até a COP26.
Para concluir que as mudanças ocorreram, a pesquisa observou a relevância de posições contrárias e a favor sobre mudanças climáticas na rede social.
"Nós vimos que, até a COP26, não havia tanta polarização, porque muitas pessoas discutindo sobre a conferência tendiam a concordar que as mudanças climáticas são uma emergência. No entanto, existe uma grande mudança na COP26 que confirmamos ao procurar tuítes genéricos sobre [o assunto]", afirma Andrea Baronchelli, professor associado do Departamento de Matemática da City, Universidade de Londres e pesquisador do Instituto Alan Turing.
Baronchelli também faz parte da Iris, rede que investiga a infodemia e a divulgação de informações falsas na internet em meio a emergências mundiais. A pesquisa recém-publicada é assinada por ele e por outros pesquisadores do grupo.
A maior mudança que os cientistas observaram entre as conferências foi o surgimento de um campo ideológico que propaga dúvidas acerca das alterações no clima no Twitter. Por exemplo, na COP21, foram três contas de pessoas com um histórico em debates sobre clima que questionavam o tema. Fora essas, havia ainda uma conta pertencente ao político britânico Roger Helmer.
Por outro lado, na COP26, esse número de perfis descrentes subiu para 56 e alcançaram maior relevância. Mesmo assim, ainda são uma minoria comparada às contas do espectro que confirmam a emergência climática.
Max Falkenberg, pesquisador associado do Departamento de Matemática da City, Universidade de Londres e um dos autores do artigo, explica que, enquanto na conferência de 2015 a maior parte dos perfis com opiniões contrárias já debatia sobre meio ambiente –eram somente seis desse tipo—, na COP26 isso mudou .
"Grande parte [dos perfis] tem um foco amplo. Por exemplo, muitos falavam contra as restrições da Covid-19. Havia muita discussão sobre isso, ao mesmo tempo em que ocorria aquelas das questões climáticas", diz.
Outro aspecto observado foi a posição ideológica dos políticos que se contrapunham às discussões climáticas. No caso, eles eram de direita. A constatação, no entanto, não é necessariamente uma verdade para todos os outros perfis.
"Nós não fomos a fundo em cada uma das contas. Então, só podemos falar dos políticos, que podemos identificar que são de direita", afirma Falkenberg.
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