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Pesquisa inédita revela realidade e perfil de catadores de recicláveis

29/11/2022

Catadoras e catadores de materiais recicláveis são trabalhadores fundamentais para a sociedade e o planeta. Em São Paulo e em Belo Horizonte, estes trabalhadores autônomos recolhem um volume de material reciclável superior à coleta seletiva. E mesmo assim, pouco se sabe 9ou se quer saber) sobre estas pessoas e a atividade importantíssima que elas exercem.
Para dar mais visibilidade e fortalecer estes heróis do meio ambiente, o Cataki, aplicativo sem fins lucrativos, lança um relatório com dados sobre o universo dos catadores e catadoras autônomos nas cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. A pesquisa faz parte das ações de dez anos da ONG Pimp My Carroça.
Entre os resultados estão números impressionantes, como as cerca de 7,5 toneladas de material reciclável recolhida individualmente por catadores e catadoras que são vinculados ao aplicativo. Entre estes profissionais, 71% tem na coleta a sua única fonte de renda e 83% dizem que o orgulho da profissão aumentou quando começaram a trabalhar como catadores cadastrados no Cataki.
Além de ajudar a manter as cidades mais limpas e contribuírem para a cadeia de reciclagem, o serviço de coleta de catadores e catadoras ajuda a economizar recursos naturais. No Brasil, a energia elétrica poupada por estes profissionais seria suficiente para alimentar 9,6 milhões de casas por um mês. Já a água economizada poderia encher 3.045 piscinas olímpicas ou 1.104 campos oficiais de futebol plantados.
Apesar de tudo isso, a enquete organizada pela consultoria Plano CDE aponta que grande parte desses profissionais convive com situações discriminatórias, violência policial, ausência de remuneração e alto risco de acidentes.Neste cenário, foi possível constatar que os catadores que utilizam o aplicativo Cataki e se envolvem com as ações e projetos do Pimp My Carroça apresentam mais autoestima e sensação de reconhecimento pelo trabalho de coleta de materiais recicláveis.
Para a catadora e o catador de resíduos recicláveis que vão para a rua sem vínculo de emprego, o cenário de trabalho é duro e muito pouco receptivo por parte da sociedade.
Os resultados do levantamento mostraram que esses trabalhadores passam por constrangimentos dos mais diversos. “A maioria das pessoas olha pro catador como se a última opção que o cara tinha era essa. No olhar da sociedade, não é uma escolha, mas uma falta de opção. Não é o mesmo olhar que nós temos como profissional. É um serviço digno”, comenta um dos entrevistados.
Metade dos entrevistados usuários do Cataki admitiu ter sido impedida de entrar em estabelecimentos comerciais para recolher resíduos, 67% foram vítimas de preconceito por ser catador e 63% apontam terem sido vigiados de perto por seguranças.
Entre os que não são vinculados ao Cataki, 26% já tiveram sua carroça, principal instrumento de trabalho, apreendida pela Prefeitura. Entre os usuários do aplicativo, 21% passaram por esse constrangimento.
O perfil sociodemográfico dos catadores revelou que 72% dos catadores usuários do aplicativo Cataki se identificam como negros e pardos, enquanto 81% dos não cadastrados consideram a mesma opção.
Entre os entrevistados, os homens são maioria: 75% de não usuários, enquanto 62% de maioria entre usuários em São Paulo. Em Belo Horizonte, 80% dos não usuários do aplicativo são homens contra 56% de não usuários. Na capital mineira, 44% das usuárias do aplicativo são mulheres. Já no Rio de Janeiro, 66% dos usuários do aplicativo são homens, e entre não usuários o número sobe para 76%. As mulheres cadastradas no aplicativo representam 39% da amostra, contra 24% de não cadastradas.
A faixa etária média dos catadores e catadoras é comum nas três regiões pesquisadas: 44,5% do total têm entre 40 e 59 anos e 32% começaram a coletar antes dos 30 anos de idade. Outro fator em comum são as horas trabalhadas: 10 horas de catação diárias.

A matéria na íntegra pode ser lida Ciclo Vivo

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