
06/12/2022
Uso óculos desde os cinco anos de idade, minha audição não é perfeita em ambientes tumultuados e, como muitas outras pessoas, perdi meu sentido do paladar durante a covid-19, o que me desorientou muito.
Quando os nossos sentidos são forçados até o limite, podemos começar a valorizá-los muito mais. Mas certamente não somos os únicos seres que dependem de diversos sentidos. Os animais marinhos dependem deles para se comunicar, navegar, alimentar, ouvir e detectar perigos.
É difícil para nós imaginar como as criaturas marinhas interagem no seu mundo. O que sabemos é que o quadro é complexo e os impactos causados pelos seres humanos causam ainda mais dificuldades.
A poluição é onipresente, mas não é homogênea. Existe a exploração de petróleo e gás no leito marinho, além de exercícios militares, aumento do tráfego marítimo e a ameaça relativamente nova da mineração em águas profundas.
Acrescente-se o fluxo de esgoto e os resíduos industriais e agrícolas e teremos um ambiente marinho mais movimentado, barulhento e poluído. Que riscos ocultos tudo isso traz para a vida marinha?
Como voluntária para cuidar de encalhes de animais marinhos para o Devon Wildlife Trust, no sudoeste da Inglaterra, recebo frequentes pedidos para tirar fotos e medidas de mamíferos marinhos encalhados no litoral da minha região.
Às vezes, existem ferimentos visíveis, marcas de dentes, talvez de ataques de golfinhos-nariz-de-garrafa, longos cortes retos na pele causados por linhas de pesca ou, às vezes, um corte limpo na cauda por captura acidental. Mas, na maioria dos casos, é difícil identificar a real causa da morte.
Uma equipe especializada de cientistas encarregou-se da missão de descobrir mais sobre os impactos causados pelos seres humanos sobre as populações de botos, baleias e golfinhos no Reino Unido.
E, para aprender mais sobre a sua pesquisa, visitei Rob Deaville, cientista que estuda encalhes de animais no Programa de Pesquisa sobre Encalhes de Cetáceos do Reino Unido. Todos os anos, Deaville disseca cerca de 150 botos, baleias e golfinhos encalhados para descobrir a possível causa das suas mortes.
"Em alguns casos, pode ser muito evidente, como captura acidental, choques com navios, focas-cinzentas predadoras, ataques de golfinhos-nariz-de-garrafa. Estas causas de morte são bastante óbvias", explica ele.
"Mas, mesmo em alto nível, a poluição não é necessariamente a causa da morte de um animal, é mais questão de associação", segundo Deaville. "Você olha por um buraco de fechadura para um aspecto, no que eu chamo de desfecho terminal, e então tenta olhar para trás para ver quais foram as experiências daquele animal ao longo da vida."
"Alta poluição sonora ou caça limitada, mudanças climáticas, poluição química - tudo isso causa impactos e é difícil separá-las de qualquer pressão individual isolada", ele conta.
Observar Deaville abrir um boto foi uma aula de biologia fascinante. Mas, mais do que isso, foi possível destacar como aquelas criaturas podem refletir seu ambiente marinho e como elas vivem naquele ambiente.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
Tecnologia que ajudou a recuperar praias da Zona Sul chega à Ilha do Governador
07/07/2026
Tremores de terra são registrados no litoral de Maricá
07/07/2026
USP transforma resíduos em energia, biometano e biofertilizante
07/07/2026
Sistema Cantareira passa a operar na faixa de alerta
07/07/2026
DNA da água em rio do ES ajuda cientistas a encontrar peixe ameaçado de extinção
07/07/2026
Natura cria startup para vender ingredientes da amazônia a outras indústrias
07/07/2026
