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Biden pode salvar Oriente Médio com investimentos ambientais

13/12/2022

Há dois dramas acontecendo hoje ao longo das margens do rio Jordão, representando as duas forças mais poderosas que moldam a política em Israel e seu entorno. Diga-me qual deles domina e eu lhe direi como serão as relações entre judeus e árabes.
Um deles é a lógica do tribalismo. Ela foi manifestada de maneira inequívoca no recém-eleito governo israelense ultranacionalista e ultrarreligioso, impelido ao poder pela intensificação dos enfrentamentos entre palestinos da Cisjordânia e israelenses em geral e pelo aumento da atividade criminosa de árabes israelenses contra outros árabes israelenses e judeus em particular. Tudo isso é movido pelo lema tribalista "eu e meu irmão contra meu primo, e eu, meu irmão e meu primo contra o forasteiro".
O líder israelense dessa coalizão é Binyamin Netanyahu, que venceu a eleição com uma campanha voltada a disseminar o medo e a resistir à partilha de poder com os habitantes palestinos da Cisjordânia e os cidadãos palestinos de Israel. A mensagem principal de Netanyahu foi endereçada aos judeus israelenses: apenas eu posso proteger vocês contra o outro.
Mas ao mesmo tempo em que essa eleição acontecia, outra lógica também estava em ação: a da natureza, segundo a qual quando o clima muda, como está mudando agora, não são as espécies mais fortes ou mais inteligentes que sobrevivem. São as que se adaptam melhor.
E os ecossistemas que têm a maior capacidade de adaptação geralmente são os mais diversos, ricos em espécies que oferecem maneiras diferentes de adaptação. Eles prosperam porque são capazes de criar interdependências sadias entre diferentes plantas e animais e, assim, maximizar sua resiliência.
O lema deles é "eu, meu irmão, meu primo e o forasteiro, todos colaborando naturalmente para que possamos avançar juntos, não cair juntos". Um exemplo desse tipo de pensamento foi a aliança ambiental tácita forjada pelo governo israelense anterior de união nacional, liderado por Yair Lapid e Naftali Bennett, em colaboração com líderes da Jordânia, da Palestina e dos Emirados Árabes Unidos.
É verdade que o governo israelense anterior se dedicava ao pensamento de resistência quando era preciso, prevenindo ataques iranianos e palestinos contra israelenses. Mas também praticava um pensamento criativo de resiliência, baseado na lógica: a mudança climática vai matar todos nós muito tempo antes de começarmos a matar uns aos outros, a não ser que produzamos fontes de água mais sustentáveis. Isso precisa começar pela recuperação do rio Jordão, que alimenta esta região há milênios.
Hoje isso exige formas inusitadas de colaboração entre judeus e árabes.
Vim para cá, o ponto mais baixo da Terra, onde se encontram a cidade de Jericó, o rio Jordão e o Mar Morto, para divulgar essa coalizão emergente em torno da natureza e do clima. Meu guia foi Gidon Bromberg, cofundador da EcoPeace Middle East, organização integrada por jordanianos, palestinos e israelenses que lutam para sustentar uma das regiões do planeta mais afetadas pela escassez de água.

Termine de ler esta matéria acessando a Folha de S. Paulo

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