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Brasil ganha instituto nacional voltado à pesquisa sobre oceanos

15/12/2022

Desde a última semana, o Brasil tem uma nova instituição dedicada à pesquisa sobre oceanos. Com decreto presidencial assinado no dia 6, o Inpo (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas) se tornou uma OS (organização social) vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com o objetivo de ampliar os estudos dessa área no país.
A entidade deve começar a funcionar ainda neste ano, e o seu nome, como já anunciam páginas do próprio ministério, deve mudar futuramente para Inmar (Instituto Nacional do Mar). Ela ficará instalada no parque tecnológico da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), como um instituto privado, mas sem fins lucrativos.
Com quadro previsto de 17 funcionários e orçamento anual de R$ 10 milhões, o instituto é considerado enxuto. Especialistas em oceanos comemoram, porém, a criação de uma entidade —uma das seis OSs vinculadas atualmente ao ministério— que possa reunir os dados sobre pesquisa oceânica do país e, assim, direcionar trabalhos estratégicos. Hoje, pelo contrário, os estudos estão descentralizados.
"O Brasil tem que ter cada vez mais um protagonismo internacional em relação aos oceanos, porque nós temos uma costa muito longa e muitas atividades no mar", destaca Segen Farid Estefen, diretor-geral do Inpo e professor da UFRJ, que falou à Folha sobre os planos para a nova instituição.

Como surgiu a demanda para a criação do Inpo? O que sempre se sentiu é que o Brasil tinha muitas ações em relação ao mar, mas de uma forma não integrada do ponto de vista técnico-científico. Então a vinda desse instituto é no sentido de integrar essas ações e otimizar os recursos e os resultados que possam vir dessa integração maior.
O Inpo não vai fazer política de Estado em relação ao mar. Quem faz isso é o governo e o Parlamento. O que vamos fazer é dar subsídios, do ponto de vista científico, para que essas políticas públicas sejam embasadas na ciência e na tecnologia e possam ser implementadas.

A ciência oceânica é uma temática global. Com a criação do instituto, o Brasil deve ficar mais inserido nessas discussões e ter protagonismo no debate? O grande ponto focal nos próximos anos e décadas vai ser o oceano, que é pouco entendido ainda. Os oceanos são influenciados pelas mudanças climáticas ao mesmo tempo que influenciam essas mudanças. É preciso entender o que está acontecendo localmente também e agregar esses conhecimentos do ponto de vista do Brasil.
Eu acho que o Brasil tem que ter cada vez mais um protagonismo internacional em relação aos oceanos, porque nós temos uma costa muito longa e muitas atividades no mar. Os números dizem que cerca de 20% do PIB brasileiro de certa forma têm relação com as atividades no mar. Isso representa muitos empregos, muitas atividades, e há grande potencial para aumentar ainda mais.

No Brasil, temos instituições relevantes que pesquisam o oceano, como o Imar da Unifesp e o Instituto Oceanográfico da USP, por exemplo. Você enxerga alguma lacuna de atuação nesses institutos que será suprida pela nova OS? O que acontece é como nós estamos estruturados… O quadro previsto para o nosso instituto é de cerca de 17 profissionais. Ou seja, não temos condição de abraçar o mundo, nem o Brasil, nem mesmo os estados. Então vamos liderar uma rede de pesquisa, inovação e infraestrutura.
Essa rede visa a agregar todos os principais grupos de pesquisa e infraestrutura do Brasil. Essa é a diferença do Inpo em relação aos outros institutos do próprio MCTI. Nós não vamos no início sair instalando novos centros de pesquisa ou novos laboratórios. Nós queremos reforçar o que existe para fazer algo diferente e a mais do que se faz hoje.
O que se faz hoje está bem feito, esses grupos vão continuar a vida que eles têm. O que o Inpo quer é agregar esses núcleos de capacitação, com recursos adicionais que vamos poder levantar.

A entrevista na íntegra pode ser lida Folha de S. Paulo

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