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Litoral brasileiro registra aumento histórico de baleias jubarte

03/01/2023

O último levantamento realizado pelo Instituto Baleia Jubarte (IBJ) registrou um aumento histórico no número de animais da espécie no litoral brasileiro. Pesquisadores realizaram o monitoramento aéreo de cerca de 6,2 mil quilômetros, entre a divisa do Ceará com o Rio Grande do Norte e o litoral norte de São Paulo, e estimou uma população de 25 mil baleias jubarte nesta temporada – um crescimento inédito.
O número se aproxima ao de 200 anos atrás, quando se estima que era de 27 a 30 mil mamíferos da espécie em águas brasileiras. “Depois de décadas de atuação na proteção das baleias, ver essa população quase totalmente recuperada dá uma enorme alegria e uma sensação de dever quase cumprido. Quase, porque sempre temos que atuar para evitar que elas voltem a ser ameaçadas por impactos das atividades humanas”, destaca Enrico Marcovaldi, um dos fundadores do Projeto Baleia Jubarte e que acompanhou todo o esforço de proteção da espécie nos últimos 34 anos de atuação do Instituto.
O monitoramento aéreo é realizado desde 2003, com o apoio da Veracel Celulose, empresa parceira do IBJ com operações no litoral da Bahia e Espírito Santo, locais de grande importância para a preservação da espécie. Aeronaves especiais para o avistamento de garantem a estimativa do número de baleias jubartes que visitam o litoral brasileiro. Em 2003 foram registradas 3660 jubartes – o que explica a grande comemoração em relação aos resultados deste ano.
A aeronave utilizada no levantamento das baleias atinge cerca de 240 km/h. Para facilitar a identificação dos animais o avião tem janelas em formato de bolha, que permitem a visualização numa área maior, incluindo desde o horizonte até quase abaixo da aeronave. O levantamento foi realizado desde a costa até o mar aberto, em águas com profundidade de 500 metros.
As jubartes ficam de junho a novembro principalmente na região de Abrolhos, sul da Bahia, importante berçário da espécie na costa do Brasil. “Para a Veracel, é de extrema importância apoiar o Instituto Baleia Jubarte no monitoramento das baleias na região em que atuamos. Com este trabalho, conseguiremos conhecer, como está o comportamento da espécie e como podemos trabalhar para aperfeiçoar cada vez mais as nossas operações para minimizar os riscos ao meio ambiente e à vida desta espécie tão importante para nosso ecossistema”, ressalta Tarciso Matos, coordenador de Meio Ambiente da Veracel Celulose.
O monitoramento das baleias ao longo dos anos foi determinante para a adoção de uma série de medidas que ajudaram na preservação da espécie, em especial em sua época de reprodução. O mapeamento de densidade permite identificar os locais de concentração de baleias e isso é muito importante para localizar a rota de navegação das barcaças de celulose em áreas com a menor presença desses mamíferos, reduzindo os riscos de colisão.
Segundo a bióloga Márcia Engel, coordenadora do monitoramento aéreo, “este é o estudo de mais longo prazo já realizado com uma população de baleias no Brasil e permitiu acompanhar a cada ano não apenas a recuperação do número de animais da espécie, como a forma como ela foi reocupando nossas águas territoriais. Foi baseado nos resultados deste monitoramento que o Ministério do Meio Ambiente, em 2014, retirou a baleia-jubarte da Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção.”
Os resultados desse monitoramento obtidos ao longo do tempo comprovam que a população das baleias jubartes que visitam a costa brasileira vem aumentando significativamente, sendo que a maior concentração delas é encontrada na região de Abrolhos na Bahia, também conhecida como o berçário dessa espécie.

A matéria completa pode ser lida no Ciclo Vivo

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