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Plantar árvores na rua pode salvar vidas, mostra estudo 🌳

05/01/2023

Nos últimos 30 anos, a organização sem fins lucrativos Friends of Trees plantou árvores nas ruas de Portland, no estado de Oregon, EUA. Agora, um novo estudo mostra que cada árvore plantada foi associada a reduções significativas na mortalidade não acidental e cardiovascular. Os pesquisadores também estimam que os benefícios econômicos anuais do plantio de árvores excedam em muito o custo de mantê-las.
O estudo, co-liderado pelo Barcelona Institute for Global Health (ISGlobal), instituição apoiada pela Fundação ”la Caixa”, juntamente com o USDA Forest Service, foi publicado na Environment International.
Evidências que apontam para uma associação entre exposição à natureza e menor mortalidade estão se acumulando. “No entanto, a maioria dos estudos usa imagens de satélite para estimar o índice de vegetação, que não distingue diferentes tipos de vegetação e não pode ser traduzido diretamente em intervenções tangíveis”, diz Payam Dadvand, pesquisador do ISGlobal e autor sênior do estudo.
Assim, os autores aproveitaram um experimento natural ocorrido na cidade de Portland como base para o estudo. Entre 1990 e 2019, a organização Friends of Trees plantou 49.246 árvores de rua na cidade e mantiveram os registros de onde e quando as árvores foram plantadas. Assim, a equipe de pesquisa analisou o número de árvores plantadas em uma determinada área (especificamente, uma faixa de censo, onde vivem aproximadamente 4.000 pessoas) nos últimos 5, 10 ou 15 anos. Eles então associaram essa informação à mortalidade por causas cardiovasculares, respiratórias ou não acidentais nessa mesma área, usando dados da Oregon Health Authority.
Os resultados mostram que nos bairros onde mais árvores foram plantadas, as taxas de mortalidade (mortes por 100.000 habitantes) foram menores. Essa associação negativa foi significativa para mortalidade cardiovascular e não acidental (ou seja, todas as causas excluindo acidentes), principalmente para homens e pessoas com mais de 65 anos.
Além disso, a associação ficou mais forte à medida que as árvores envelheceram e cresceram: a redução na taxa de mortalidade associada às árvores plantadas 11-15 anos antes (30%) foi o dobro daquela observada nas árvores plantadas nos 1-5 anos anteriores (15%). Isso significa que as árvores mais velhas estão associadas a maiores reduções na mortalidade e que a preservação das árvores maduras existentes pode ser particularmente importante para a saúde pública.
O estudo não fornece uma visão direta sobre como as árvores melhoram a saúde. No entanto, a descoberta de que as árvores grandes têm um impacto maior na saúde do que as menores é reveladora, porque as árvores maiores absorvem melhor a poluição do ar, moderam as temperaturas e reduzem o ruído, três fatores ligados ao aumento da mortalidade.
“Observamos o efeito em bairros verdes e menos verdes, o que sugere que o plantio de árvores nas ruas beneficia ambos”, diz Geoffrey H. Donovan, do Serviço Florestal do USDA e primeiro autor do estudo. A análise levou em consideração outros fatores que podem influenciar a mortalidade, como renda, escolaridade e composição racial dos bairros.
Finalmente, de acordo com as estimativas dos autores, os benefícios do plantio de árvores superam em muito o custo: o custo anual de plantar e manter uma árvore urbana em cada uma das 140 áreas censitárias de Portland varia entre US$ 3.000 e US$ 13.000, enquanto gera cerca de 14,2 milhões de dólares anualmente em vidas salvas.
“Nossos resultados fornecem uma importante base de evidências para intervenções tangíveis (por exemplo, plantio de árvores) para aumentar a longevidade dos residentes urbanos”, conclui Dadvand.

Para saber o valor de uma árvore acesse o Ciclo Vivo

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