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Extinções em Madagascar podem levar até 23 milhões de anos para recuperação

12/01/2023

Conhecida pela sua diversidade distinta, com animais como os lêmures e o menor camaleão do mundo, a fauna de Madagascar, uma ilha do continente africano distante cerca de 470 quilômetros da costa oriental, está ameaçada de extinção —e não é de agora.
Nos últimos 2.500 anos, desde a chegada do homem à ilha, pelo menos 30 espécies de mamíferos já sumiram e cerca de 130 estão ameaçadas de extinção.
Isso porque os impactos da atividade humana nas últimas décadas aceleraram a chamada taxa de extinção dos seres vivos e trazem consequências diretas no equilíbrio de espécies da fauna malgaxe.
Caso nenhuma ação de preservação seja tomada, o curso natural de evolução das espécies levaria até 23 milhões de anos para conseguir recuperar essa diversidade, considerando os mamíferos não voadores da ilha (primatas, roedores, ouriços e outros), e cerca de 3 milhões de anos adicionais para os morcegos.
Esses são os principais achados de um estudo publicado nesta terça (10) no periódico científico Nature Communications.
Liderado pelo português Luis Valente, pesquisador do Centro Naturalis para a Biodiversidade e da Universidade de Groningen, ambos na Holanda, a pesquisa procurou entender qual o efeito já verificado da ação humana e as possíveis consequências futuras devido à degradação ambiental e caça na biodiversidade da ilha.
Para chegar a esses números, o estudo calculou o chamado tempo de retorno evolutivo (ERT, na sigla em inglês) necessário para recuperar as espécies já extintas nos últimos dois milênios —dois morcegos e 28 mamíferos não voadores— e aquelas ameaçadas de extinção segundo a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza, na sigla em inglês), se nada for feito agora para impedir o seu desaparecimento.
A ilha conta atualmente com 249 espécies de mamíferos, sendo 43 morcegos, a maioria endêmica mas com algumas espécies colonizadoras, e 206 divididas nas demais famílias do grupo.
O tempo de retorno evolutivo cresce conforme mais espécies são acrescentadas à lista de ameaçadas —o número saltou de 110, em 2015, para 128, em 2021, última edição da avaliação. Em 2010, eram apenas 56 espécies consideradas criticamente ameaçadas.
No caso dos morcegos, a recuperação para o nível anterior à ocupação humana levaria 1,6 milhão de anos (intervalo de confiança, ou IC, de 1,2–2,2). Já para as espécies ameaçadas, segundo avaliação do órgão internacional, a recuperação poderia levar de 1,9 milhão a 2,9 milhões de anos (IC de 1,5–3,6).
Por outro lado, para os mamíferos não voadores, muitos dos quais possuem uma taxa de evolução mais lenta —e que não conseguem se deslocar facilmente da ilha para o continente por meio do voo—, o tempo de retorno estimado é maior, com 2,9 milhões de anos (IC de 2,3–3,6) para a condição pré-humana e de 7,1 milhões a 23,3 milhões de anos (IC de 5,6–28,3), para as espécies atualmente classificadas como ameaçadas pela IUCN.

Termine de ler esta matéria acessando a Folha de S. Paulo

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