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Israel e Jordânia se unem para recuperar rio Jordão e mar Morto

24/01/2023

Os governos de Israel e da Jordânia têm se aproximado nos últimos meses para enfrentar um dos grandes desafios ambientais de sua região.
Esses dois países —que no passado guerrearam— assinaram em novembro uma declaração conjunta para cooperarem na recuperação do rio Jordão. A assinatura aconteceu na cúpula do clima COP27, no Egito.
O rio Jordão está contaminado e vem sumindo. É, segundo a Bíblia, o cenário do batismo de Jesus, além de outros episódios centrais do livro. Turistas, em especial os religiosos, costumam visitá-lo para serem batizados e encher garrafinhas com essa água, de simbolismo tamanho.
A importância do Jordão vai além da Bíblia, porém. O rio desce do mar da Galileia, no norte de Israel, e desemboca no mar Morto. É uma peça fundamental para os ecossistemas do Oriente Médio –uma das regiões do mundo mais afetadas pela mudança climática, segundo especialistas.
Isso sem mencionar a importância política. O rio Jordão passa pela Cisjordânia, um território que Israel ocupa desde 1967. Sua bacia inclui a Síria, em conflito com Israel, e também os palestinos, sob seu controle.
Segundo Elias Salameh, professor na Universidade da Jordânia e especialista no tema, todos os países que fazem parte da bacia do rio contribuíram —por exemplo, desviando água— à diminuição do fluxo do Jordão. Eram 1.400 milhões de metros cúbicos anuais nos anos 1960; o número caiu à taxa atual: de 100 milhões a 150 milhões de metros cúbicos anuais.
O incremento da atividade agrícola e da urbanização nos países da região foi, ainda, responsável pela poluição do Jordão com dejetos e componentes químicos. Ademais, a intensa atividade humana levou a um aumento "dramático", da salinidade do rio, na avaliação de Salameh.
O curso do rio Jordão afeta também o mar Morto, um ecossistema único e bastante frágil —onde turistas vão para flutuar na superfície, graças à excepcional composição salina da água. Segundo o professor Salameh, o nível desse mar baixou em quase 40 metros desde os anos 1970. O mar Morto corre o risco, assim, de fazer jus ao seu nome e realmente morrer.
A diminuição da superfície do mar Morto resulta em diversos fenômenos, como a diminuição da umidade do ar, afetando a vida ao redor. Crateras têm surgido ao redor da costa, com risco a assentamentos.
O texto assinado por Israel e pela Jordânia inclui planos para aumentar o fluxo de água que vem do rio Jordão, limpá-lo, incentivar a agricultura sustentável na bacia e criar reservas ambientais em toda essa região.
Não está claro qual será o impacto imediato, no entanto, e há razões para ceticismo. Em primeiro lugar, porque o ministro israelense que firmou o acordo já não faz mais parte do governo. Em segundo, porque os palestinos —que vivem na bacia— não foram fizeram parte da conversa.
Ainda assim, a assinatura é um marco importante. "Significa que Israel e Jordânia entenderam as consequências do que está acontecendo", diz Yana Abu-Taleb, uma das diretoras da Eco Peace, ONG que conecta israelenses, jordanianos e palestinos para a proteção ambiental.
"Eles compreenderam que a mudança climática afeta todos os lados e que eles precisam cooperar", ela afirma, reforçando que "o ambiente não respeita fronteiras."
Para além do impacto ambiental, Abu-Taleb ressalta também a importância dos planos de recuperação do rio em termos econômicos. O texto prevê o desenvolvimento sustentável ao redor do Jordão, em especial nos territórios onde vivem jordanianos e palestinos.

Termine de ler a matéria acessando a Folha de S. Paulo

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