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Laboratório brasileiro vai monitorar a recuperação da camada de ozônio no centro da Antártica

31/01/2023

O laboratório remoto brasileiro Criosfera 1 vai monitorar a recuperação da camada de ozônio no centro da Antártica. Os novos sensores para captar raios ultravioletas UVA e UVB instalados incrementaram a capacidade do módulo que, neste mês, completou mais de uma década de envio ininterrupto de dados ambientais do continente gelado para o Brasil. Os equipamentos também estão mensurando o ozônio de superfície no centro do continente antártico. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) investiu R$3,5 milhões na expedição de 36 dias que também abrangeu a instalação do módulo Criosfera 2 e pesquisas com testemunhos de gelo.
“Vamos passar por uma fase de futura recuperação [da camada de ozônio], então vamos monitorar como estão os níveis de ultravioleta”, estima o coordenador científico da estação e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Heitor Evangelista da Silva.
O buraco na camada de ozônio localizada na estratosfera permite um fluxo maior de raios ultravioletas. O nível de raios ultravioletas impactam a biota marinha e o plâncton, entre outros. No início deste ano, relatório da ONU apontou que a camada está em processo de recuperação, mas nos polos esse processo deve ser mais lento, projetando para 2066 a recuperação na Antártica.
O Criosfera 1 está instalado em uma região inóspita do planeta, sobre o manto de gelo, a cerca de 600 km do Polo Sul Geográfico ou 2,5 mil km ao sul da Estação Antártica Comandante Ferraz. As informações coletadas 24 horas por dia ao longo de 365 dias por ano e enviadas a cada 10 minutos pelo módulo auxiliaram a comunidade científica brasileira e internacional a compreender melhor o papel da Antártica no contexto das mudanças climáticas.
Além de Evangelista, outros dois pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) permaneceram acampados nas proximidades do módulo para executar a manutenção do módulo. Houve troca de turbinas e baterias, e levantamento da estrutura, para que ficasse mais distante da neve. “É um ano particularmente importante para nós porque estamos celebrando dez anos de transmissão ininterrupta de dados do Criosfera 1. Nós fizemos a transmissão em tempo real do centro da Antártica. Isso é muito importante. Poucas estações de pesquisa fazem isso”, explica Evangelista.
Com a experiência de mais de 30 anos de pesquisas na região, o cientista afirma que são grandes os desafios para conseguir enviar os dados a partir de uma região inóspita, na Antártica central, de modo automatizado e em tempo real. Para ter ideia, a logística para atingir o local é bastante complexa. Após o pouso no acampamento base, os pesquisadores embarcam em outro avião equipado com esquis no lugar de rodas, o que permite aterrissar próximo do Criosfera 1. Se não houvesse a alternativa aérea, seriam cinco dias de deslocamento terrestre sobre o manto de gelo em um trator polar.
A responsabilidade brasileira com o funcionamento pleno do módulo, com instrumentação calibrada e manutenção da confiabilidade de funcionamento é grande. O Criosfera 1 está registrado oficialmente na Rede Mundial Meteorológica, reforçando a qualidade dos dados gerados.
Segundo Silva, o esforço é relevante pois a estação científica, por ser automatizada, apresenta vantagens tecnológicas que permitem acompanhar fenômenos e processos online, além de ser sustentável e de baixo custo operacional.. De acordo com o professor, o Criosfera 1 foi um dos primeiros laboratórios do mundo a detectar a alteração de pressão atmosférica causada pela erupção do vulcão submarino em Tonga, no Pacífico, em 2022, que desencadeou uma onda de choque atmosférica. “Detectamos a maior onda de calor no setor oeste da Antártica”, recorda Silva indicando que provavelmente pode ter sido a maior já detectada. O trabalho feito pelos brasileiros foi apresentado no ano passado para a comunidade científica internacional durante a reunião do Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR, na sigla em inglês). “Isso nos coloca em um patamar diferenciado”, destaca.

Termine de ler esta matéria no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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