
07/02/2023
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgou na quinta (2) quais impactos ambientais podem ser causados pelo afundamento do porta-aviões desativado São Paulo, que está vagando no mar após ser proibido de atracar no Brasil e no exterior. O instituto foi comunicado sobre a decisão da Marinha de fazer um afundamento controlado da embarcação.
Entre os possíveis danos ambientais listados pelo Ibama, estão:
➤ A liberação de materiais poluentes contidos na estrutura poderia causar distúrbio na capacidade filtrante e dificuldade de crescimento em organismos aquáticos;
➤ O impacto físico sobre o fundo do oceano provocaria a morte de espécies e deterioração de ecossistemas;
➤ Emissão de gases (CFCs e HCFCs) usados no isolamento de salas contribuiriam, a partir da corrosão das paredes, para a degradação da camada de ozônio;
➤ A carcaça poderia atrair espécies invasoras prejudiciais para a biodiversidade nativa;
➤ Microplásticos e metais pesados presentes em tintas da embarcação poderiam se tornar protagonistas de bioacumulação indesejável em organismos aquáticos.
Diante dos impactos estimados, o órgão ambiental pediu à Marinha informações que permitam aos técnicos avaliar alternativas para reduzir os danos ambientais, com reparação e salvaguarda do meio ambiente após o afundamento do navio.
O Ibama também quer mapear a área de fundo do oceano onde o navio será afundado. Segundo o instituto, o risco é que os danos ambientais ocorram em pontos críticos de biodiversidade que sejam fundamentais para a vida Marinha.
Se o pedido for atendido, esses estudos seriam feitos pelo Centro de Hidrografia da Marinha, da Marinha do Brasil. O Ibama recomenda também que a força naval elabore um plano de monitoramento da água na região.
Os impactos ao ambiente aquático foram avaliados em uma nota técnica elaborada por oito servidores do Ibama. O texto foi enviado à Marinha há três semanas.
Segundo o MPF, a sucata da embarcação tem 9,6 toneladas de amianto, substância que tem potencial tóxico e cancerígeno. O casco também conta com 644 toneladas de tintas e outros materiais perigosos.
A Marinha classificou como inevitável o afundamento espontâneo e não controlado da embarcação, devido ao agravamento das condições estruturais do casco. Por isso, a força naval defende que a única opção viável é afundar a embarcação de forma controlada.
No momento, o porta-aviões desativado está a 350 quilômetros da costa, numa região que tem cerca de 5 mil metros de profundidade. A área está dentro das águas jurisdicionais brasileiras.
Veja qual o posicionamento da Marinha do Brasil no g1
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