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“Precisamos fazer muito mais” para frear o aquecimento global

09/02/2023

Enquanto alguns relatórios apontem para pontos de vista mais otimistas em relação aos avanços no combate às mudanças climáticas, pesquisadores da Universidade de Hamburgo afirmam que a a sociedade está mudando muito lentamente para atingir a meta de alcance do acordo de Paris.
A afirmação se baseia no segundo relatório anual Hamburg Climate Futures Outlook, “Clima, Mudança Climática e Sociedade” (CLICCS). A conclusão dos cientistas é que, se as tendências atuais seguirem como estão, é improvável que os líderes mundiais consigam limitar o aquecimento global a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais e evitar os piores impactos da crise climática.
E a razão para isso não é inovação tecnológica ou pontos de inflexão, mas a lentidão de processos sociais necessários para a mudança. “Na verdade, quando se trata de proteção do clima, algumas coisas já foram iniciadas. Mas se você olhar para o desenvolvimento dos processos sociais em detalhes, manter o aquecimento global abaixo de 1,5 graus ainda não é plausível”, explica a Professora Anita Engels, em um comunicado à imprensa.
O objetivo do relatório era avaliar se o cumprimento das metas do acordo de Paris de limitar o aquecimento global a bem menos de dois graus Celsius acima dos níveis pré-industriais – ou idealmente 1,5 grau – era realmente plausível, dados os fatores sociais e ambientais. O resultado final foi o trabalho de mais de 60 cientistas das áreas ambientais e sociais que analisaram dados de mais de 140 países, de acordo com a Universidade de Hamburgo e The Hill.
Os autores do estudo analisaram 10 fatores sociais que podem levar à “profunda descarbonização” até 2050, o que é necessário para atingir a meta de 1,5ºC:

✷ Governança climática da ONU;
✷ Iniciativas transnacionais;
✷ Regulamentos relacionados ao clima;
✷ Litígios climáticos;
✷ Protestos climáticos e movimentos sociais;
✷ Produção de conhecimento;
✷ Desinvestimento em combustíveis fósseis;
✷ Mídia;
✷ Padrões de consumo;
✷ Respostas corporativas.

O relatório aponta que apesar dos sete primeiros fatores estarem se movendo na direção certa, nenhum deles avançava rápido o suficiente para atingir a descarbonização necessária. A mídia era “ambivalente”, enquanto as respostas corporativas e os padrões de consumo ainda estavam ativamente no caminho da ação climática, uma tendência que não depende exclusivamente dos consumidores.
“Seria muito mais fácil se a forma como os produtos são produzidos fosse regulamentada de forma que (os consumidores) não fossem forçados a comprar produtos destrutivos do clima”, disse a professora. Os autores do estudo também concluíram que os esforços de recuperação econômica após os bloqueios do coronavírus levaram a uma maior dependência de combustíveis fósseis, enquanto os efeitos da invasão russa da Ucrânia ainda eram desconhecidos.
Os pesquisadores também analisaram os fatores físicos da mudança climática que podem causar pontos de inflexão que levam a um aquecimento ainda maior. Eles descobriram que o derretimento das camadas de gelo polar, o declínio do gelo marinho e a mudança e variabilidade climática regional tiveram efeitos mínimos na temperatura e, portanto, não eram relevantes para as metas do acordo de Paris.

Esta reportagem pode ser lida por completa no CicloVivo

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